A presença de um dentista atuando na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) pode reduzir em até 56% as chances de desenvolvimento de infecções respiratórias nesses pacientes, de acordo com estudo realizado com 254 pacientes adultos, internados na UTI do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP. O estudo integrou à equipe da UTI um cirurgião-dentista, prestando cuidados semanais aos pacientes. O professor Fernando Bellíssimo Rodrigues (foto), do Departamento de Medicina Social da FMRP, é um dos responsáveis pelo estudo. Ele adianta que a presença de cirurgião-dentista em UTI é uma prática que já ocorre em alguns hospitais do Brasil, mas não havia comprovação científica da eficácia desse profissional integrado à equipe de uma UTI.

A Associação Brasileira de Medicina Intensiva (Amib) divulgou Carta de Esclarecimento a respeito da importância da presença de cirurgiões-dentistas nas Unidades de Terapia Intensiva – UTIS.

Confira o conteúdo, na íntegra:

“O Projeto de Lei (PLC 34/2013) que tornava obrigatória a prestação de assistência odontológica a pacientes em regime de internação hospitalar a portadores de doenças crônicas e aos atendidos em regime domiciliar na modalidade “homecare” infelizmente foi vetado pela Presidência da República para ser revisto e adequado a algumas exigências do executivo antes de ser novamente submetido.

Em vista desse fato, cabe à Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib) alertar a população sobre o risco que as infecções bucais podem causar à saúde sistêmica, principalmente relacionada às pneumonias por aspiração e à sepse, patologias de alta prevalência em unidades de terapia intensiva nos hospitais públicos e privados do Brasil e que levam a um número expressivo de óbitos, anualmente.

É importante também destacar que a integralidade à assistência é concebida como um conjunto articulado de ações e serviços de saúde e que é um dos princípios doutrinários da política do Estado brasileiro para a saúde, como direito e como serviço. Dessa forma, entendemos que os cuidados bucais devem ser incluídos nesse contexto.

Por fim, a Amib, que tem seu Departamento de Odontologia Intensiva como parte integrante dos que representam a equipe multiprofissional em cuidados intensivos, espera que esse projeto de lei, após os ajustes necessários e adequados, seja aprovado e que a presença integral do cirurgião-dentista nas unidades de terapia intensiva dos hospitais brasileiros seja garantida.”

Dr. Ciro Leite – Presidente da Associação de Medicina Intensiva”