A R T I G O | Deborah Kerches*

O Transtorno Opositivo Desafiador (TOD) é caracterizado por comportamentos desafiadores/desobedientes, hostis, impulsivos e negativistas por parte da criança ou adolescente, especialmente na relação com seus pais ou figuras de autoridade de uma forma geral. Há inabilidade no autocontrole das emoções e dos comportamentos.

A criança com TOD frequentemente perde a paciência, discute com os adultos, recusa-se a obedecer regras ou pedidos, tem implicância com as pessoas, se aborrece facilmente, está sempre irritada, reage de forma intempestiva (sem controle emocional) diante das frustrações, pode-se mostrar rancorosa e com ideias de vingança em algumas situações.

Além da relação difícil no ambiente familiar, a criança com TOD costuma ter dificuldade para fazer e/ou manter amizades, pode sofrer ou fazer bullying e ser excluída de eventos sociais e de programações da escola devido aos seus comportamentos.

Uma dificuldade para os pais é diferenciar birras típicas da idade dos sintomas do TOD.  A birra não costuma acontecer em todos os lugares que a criança frequenta, geralmente ocorre entre 2 e 4 anos e costuma ser mais direcionada aos pais.

Outro ponto importante para diferenciar está na dimensão do comportamento, o quanto que ele traz prejuízos afetivos, sociais, escolares e cognitivos em geral, para a própria criança ou adolescente e pessoas do seu convívio. O comportamento inapropriado no TOD é muito mais intenso e desproporcional ao esperado para comportamentos de birra habituais.

O diagnóstico é clínico e observacional, e o profissional deverá levar em conta se tais sintomas causam prejuízo significativo na vida social, acadêmica e ocupacional da criança ou adolescente.

O tratamento do TOD é multidisciplinar, geralmente unindo psicoterapia comportamental e treino de habilidades sociais; medicação quando necessário (que melhora a autorregulação e o humor do paciente) e suporte escolar (com foco na compreensão e abertura para o diálogo).


* Deborah Kerches (CRM 102717-SP) é Neuropediatra especialista em Transtorno do Espectro Autista (TEA), diretora do Centro de Atenção Psicossocial Infanto Juvenil de Piracicaba, membro da Sociedade Brasileira de Neuropediatria, da Associação Brasileira de Neurologia e Psiquiatria Infantil (ABENEPI), da Academia Brasileira de Neurologia e da Sociedade Brasileira de Cefaleia. Além de ser palestrante e preceptora do Programa de Residência Médica em Pediatria da Prefeitura do Município de Piracicaba com Especialização em Preceptoria pelo Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital Sírio Libanês.Também ministra cursos e workshops sobre os mais variados temas ligados a Neuropediatria, Transtorno do Espectro Autista (TEA) e Saúde Mental Infanto Juvenil.