A R T I G O | Luiz Rodolfo*

Sabemos que as técnicas cirúrgicas e os biomateriais evoluíram muito nos últimos anos. Desse modo, permitiu grandes reconstruções, enxertos e melhora das condições ósseas e gengivais para a instalação de implantes. Entretanto, alguns casos são extremamente limitados ou o paciente não quer ou não pode passar por grandes procedimentos cirúrgicos. Nestes casos, lançamos mão da prótese fixa dentogengival.

Sempre que dentes são perdidos, os tecidos de suporte sofrem alterações. Não tem como. A biologia acaba por remodelar a área que não tem mais dente. Quando as cirurgias de reconstrução óssea não são possíveis, seja pela condição de saúde ou financeira dos pacientes, é possível pensar na prótese fixa dentogengival. Ela chega a ser uma técnica de exceção. São casos bem estudados e pontuais.

Mas, quando é o momento certo de indicar?

Em grande parte, as próteses dento-gengivais fixas serão utilizadas em regiões estéticas. Elas irão suprir a falta de tecido ósseo, gengiva e dentes. Outro ponto de extrema importância: elas devem ser de fácil limpeza pelos pacientes, seja com fio dental ou escovas interdentais.

Na grande maioria serão utilizadas na região anterior da maxila, isto é, na linha de frente do sorriso. Antigamente, fazer próteses com dentes compridos era algo minimamente aceitável. Hoje isso é totalmente inaceitável.

3 fatores que devem ser levados em consideração

  1. Trabalhar a expectativa do paciente – explicar e mostrar com imagens como que essa prótese vai ficar;
  2. Trabalhar com um ótimo Técnico em Prótese Dentária. A imitação da cor e a caracterização da gengiva não é trabalho para qualquer um;
  3. Fotografar todo caso e solicitar exames complementares. Isso vai dar base para o seu diagnóstico e sua escolha por esta abordagem.

Contraindicações e entraves da prótese dentogengival

Às vezes as sequelas teciduais são tão grandes que impossibilitam a reconstrução vertical. Eu sei que podemos pensar em inúmeras técnicas de reconstrução cirúrgica, porém, alguns pacientes não querem passar por cirurgias complicadas que tiram osso da calota craniana ou do osso ilíaco, por exemplo.

Problemas sistêmicos também podem contraindicar grandes cirurgias. E no final das contas, tem aquele paciente que simplesmente tem medo ou não quer operar.

Ou ainda, já tentou a cirurgia e os resultados não foram satisfatórios e suficientes.

E o digital não ficou de fora nas próteses dentogengivais

O planejamento e diagnóstico digital podem melhorar ainda mais a previsibilidade das próteses dentogengivais. Sobrepor imagens de tomografia com escaneamento bucal pode ser a chave do sucesso. Isso vai facilitar também o trabalho do técnico.

Essas próteses podem ser feitas tanto da maneira convencional em cerâmica, como podem ser fresadas e posteriormente maquiadas.

O principal é que elas sejam elementos fixos funcionais e estéticos. Sabemos que as próteses Parciais Removíveis também são opções válidas na Odontologia. Todavia, nós que trabalhamos no dia a dia com os pacientes, sabemos a aversão que muitos têm de uma prótese móvel. Seja pelo trabalho de remover a prótese para limpar ou pelos grampos metálicos antiestéticos.

Os benefícios são evidentes

Com as próteses dentogengivais você pode devolver papila gengival, corrigir problemas na linha do sorriso, devolver margem gengival e melhorar sorrisos sem grandes intervenções cirúrgicas desgastantes e, às vezes, com baixa previsibilidade. Nada contra a cirurgia.

Se for possível reconstruir, melhor ainda. No entanto, em pacientes onde as cirurgias estão descartadas, a prótese dentogengival é uma ótima carta na manga.


*Luiz Rodolfo – Cirurgião-dentista. Especialista em Periodontia e Implantodontia. Membro da Comissão de Mídias Sociais e Odontologia do CROSP.