A união de entidades, empresas do setor e a Odontologia, juntas, podem fazer diferença na defesa da Sustentabilidade no setor. Com este propósito foi realizado o VI Simpósio de Odontologia Sustentável, com a participação da ABCD e ADI Brasil, durante o Ciosp 2020. Dentro de uma pauta universal, o assunto foi debatido para colaborar com a inclusão da Saúde Bucal na Agenda 2030 da ONU que busca a preservação dos recursos naturais e sustentabilidade para a Odontologia.

Com a presença, na mesa de abertura, de Claudio Pinheiro Fernandes, coordenador do Núcleo de Odontologia Sustentável IBNSF/UFF, Paulo Murilo (presidente da ABO), Silvio Cecchetto (presidente da ABCD), Marcos Capez (presidente do CRO-SP), Regiane Marton (coordenadora de o projeto Sorrir Muda Tudo da Abimo), Rogéria Azevedo (coordenadora geral de Saúde Bucal do ministério da Saúde), Claudio Miyake, secretário geral do CFO),  Silvia Berlink, presidente da Sorriso Sustentável Soluções Ambientais) . O Simpósio teve ainda a presença das empresas apoiadoras Metasys, Ivoclar Vivadent, SDI e Curaprox.

Para Silvio Cecchetto, presidente da ABCD, “prevenir a doença é a mais sustentável de todas as ações”, ao falar do lançamento do livro Prevenção do Câncer Bucal, da European Regional Organization (ERO), cedido à ABCD ( online e gratuito) e traduzido para o português pela equipe da Universidade Federal Fluminense (UFF), tendo à frente o prof. Claudio Fernandes, assessor internacional da ABCD e coordenador do Simpósio. Para baixar cópia do livro visite o  site da ABCD neste link.

A Odontologia sustentável inclui a dimensão da sustentabilidade na vida profissional do cirurgião-dentista em três aspectos: preservação dos recursos naturais, desenvolvimento econômico e valorização humana. A inclusão da saúde bucal na Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas para desenvolvimento saudável, a convenção de Minamata sobre o mercúrio e a Declaração Política sobre Cobertura Universal da saúde foram abordados no simpósio. Para Fernandes, “o papel da Ciência, Tecnologia e  Inovação é imprescindível e a profissão do cirurgião-dentista  está sendo desafiada pela crescente demanda  e por melhores cuidados de saúde em todo o mundo”, conforme alertou também em entrevista durante o evento.

Ao falar da Sustentabilidade na Odontologia, o presidente da ABCD apontou os problemas que o setor tem que enfrentar: “Os produtos usados na radiologia (como fixador, revelador, por exemplo), não contam com o correto descarte. Além disso, no dia a dia é preciso desmontar  o amálgama em pedaços maiores para evitar a liberação de mercúrio. Há forma de captar fragmentos do amálgama e direcioná-lo para evitar contaminação da natureza. Destaque para a Universidade Federal Fluminense que inaugurou o primeiro separador de amálgama e que adotou também bombas sugadoras a vácuo, sem utilização de água”, destacou.

Outro dado que exibe a dimensão do problema apontado por Fernandes: “Segundo a Unesp de Araraquara, o cirurgião-dentista usa 700 litros de água diariamente, enquanto a média da população é de 100 litros por pessoa. Os sugadores, para gerar vácuo, puxam água da rede pública, são 200 litros por dia de água limpa, tratada. Quando você olha,  a Saúde Bucal tem grande responsabilidade sobre a sustentabilidade”. Outra reflexão importante é sobre a quantidade de resíduo, de equipamento contaminado, principalmente por conta do uso dos EPIs para o cirurgião-dentista e para o paciente.

O cirurgião-dentista é agente de sustentabilidade e, exatamente  por isso precisa se envolver com o tema, defende, o coordenador. “Ele precisa interagir com o paciente, sua população. Cada pessoa usa de 3 ou 4 escovas de dente por ano. Todos os anos são 100 mil toneladas de plástico só de escova de dente. O cirurgião-dentista pode instalar no seu consultório um ponto de coleta de escovas dos seus pacientes. É uma ação simples, mas de grande impacto no meio ambiente, na sustentabilidade”, diz Claudio Fernandes. “O recado para a Odontologia, para as pessoas, é sobre a necessidade de se preservar o meio ambiente, para se assegurar o futuro da vida”, finaliza Sílvio Cecchetto.

Empresas também entram na luta pela sustentabilidade

A  Odontologia Sustentável tem a seu lado, além da área científica e institucional, uma parceria de peso, representada por empresas do setor como  Metasys, DSI, Ivoclar Vivadent e Curaprox empenhadas em trabalhar para a preservação do meio ambiente e o bem estar humano.

Curaprox – Todas estas empresas participaram do VI Simpósio ativamente, compartilhando o que vem sendo feito em prol do meio ambiente, como a Curaprox que criou uma caixa de papelão para descarte sustentável de escovas dentais e outros materiais de consultórios.

A SDI, que trabalha com agente cariostático a base de dianimo, fluoreto de prata que não mancha o dente e paralisa e elimina a cárie dentária, foi outro exemplo de trabalho sustentável com projeto que fornece material e treinamento para Unidades Básicas de Saúde (UBSs) brasileiras.

Já a Ivoclar Vivadent tem projeto de viabilidade sustentável de substituição do amálgama dental para oferecer ao cirurgião-dentista, materiais odontológicos restauradores  de melhor biocompatibilidade, e estética, com baixo custo e diminuição operacional. “O progresso só será alcançado por parceria global que reúna governos, sociedade civil, agentes da mídia, redes sociais, líderes comunitários, indústrias, pesquisadores e a academia”, destacou o coordenador do simpósio, Cláudio Fernandes.

A Metasys, empresa austríaca pioneira em soluções sustentáveis, fornece equipamentos como o instalado na Universidade de Nova Friburgo , o 1º sistema completo de separador de amálgama no país, eliminando-o de forma ambiental correta.