Expectativa: que em 2021 o número de casos se torne pequeno

Na tarde de quarta-feira (11), especialistas se reuniram no Instituto do Coração (InCor) para tratar do coronavírus. Considerado uma pandemia pela Organização Mundial de Saúde (OMS), o vírus tem infectado cada vez mais pessoas no Brasil. Para os médicos, os próximos quatro meses devem ser de surto.

Fábio Jatene, vice-presidente do Conselho Diretor do Instituto do Coração (InCor), em mensagem que circula nas redes sociais, resumiu o encontro. Jatene detalhou algumas declarações  do infectologista e coordenador do Centro de Contingência do Coronavírus no Estado de São Paulo, David Uip.

Explosão de casos – Uip projetou uma explosão dos casos de coronavírus no Brasil nos próximos meses porque, para o infectologista, o país já está registrando a chamada transmissão comunitária. “Quem não foi viajar já está passando para o outro que não foi viajar”, afirmou. Jatene explica que a projeção é lógica. “Ele tinha razão, porque ontem [terça-feira (10), tínhamos 35 casos. Hoje [quarta] já temos 70.”

45 mil casos em São Paulo – O crescimento da doença deve infectar cerca de 45 mil pessoas nos próximos meses. Destes 45 mil, de 10 a 15 mil pacientes devem precisar ser internados em uma unidade de terapia intensiva (UTI), o que deve superlotar a rede do Estado.

MS: 52 casos confirmados, mas número deve ser 30% maior O Ministério da Saúde informou ontem que o país tem 52 casos confirmados de coronavírus, 30 deles em São Paulo. O número de infectados, porém, é no mínimo 30% maior. Somente o Hospital Albert Einstein registrou 38 casos da doença – ontem foram 16, ainda não notificados. Na quarta-feira, o Einstein recebeu 492 pedidos de testes, 70% mais que no dia anterior. No total, já realizou 2,4 mil exames. Na Dasa, maior rede de medicina diagnóstica do país, a demanda cresceu 46 vezes.

4 meses difíceis – Ainda segundo Uip, os próximos quatro meses serão difíceis para todo o país. “Uip disse que vai vir, vai vir com força, vai contaminar um monte de gente”, explicou Jatene. Contudo, depois deste período, o surto deve ser controlado.

Coronavírus hoje: O Brasil já tem quase 70 casos confirmados. Ontem, só o Hospital Albert Einstein recebeu 492 pedidos de testes, 70% mais que no dia anterior.

Medicamentos e leitos– A demanda pelo exame para diagnóstico do novo coronavírus é crescente nas últimas duas semanas desde que foi anunciado o primeiro caso no Brasil.

Exames sem sintomas, não!  – Os médicos vêm alertando sobre exames realizados por pessoas que ainda não apresentam os sintomas da doença. “O valor do exame com paciente assintomático é questionável porque o vírus ainda não desenvolveu o suficiente, podendo dar negativo no primeiro teste e positivo depois”, disse Sidney Klajner, presidente do Hospital Albert Einstein. Ontem, só o Hospital Albert Einstein recebeu 492 pedidos de testes, 70% mais que no dia anterior

Estoques –A Abramed, associação dos laboratórios de medicina diagnóstica, informa que o setor tem capacidade para atender a forte demanda mesmo com o dólar alto. A maior parte dos insumos para a realização dos exames é importada. “Temos estoque para atender a procura e contratos fixos de longo prazo com fornecedores”, disse Priscila Franklin Martins diretora-executiva da empresa.

ANS determina diagnóstico pelos planos de saúde – Na última terça-feira (10/3), a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) determinou que os exames para diagnóstico do novo coronavírus sejam cobertos pelos planos de saúde, o que pode levar a um aumento ainda maior pela procura desse tipo de exame. Até então, esses testes eram comercializados entre R$ 150 e R$ 350.

Infraestrutura – Já em relação à infraestrutura hospitalar do país, a expectativa é que o sistema não seja tão sobrecarregado porque a maior número dos pacientes afetados pela doença recebe orientação para tratamento domiciliar. No entanto, se houver uma grande quantidade de pacientes em estado grave, o Brasil pode ter problemas porque há poucos leitos totalmente isolados.

Leitos – No país, há 410,2 mil leitos em hospitais privados e públicos, sendo que apenas 8% são de UTI, conforme dados da CNSaúde (confederação que reúne hospitais).

Ontem, só o Hospital Albert Einstein recebeu 492 pedidos de testes, 70% mais que no dia anterior

Fontes:

OMS, InCor, Dasa, Hospital Alberto Einsten, Abramed, ANS, CNS.