A R T I G O por Braz Antunes*

Resolvi fazer essa publicação pensando em me posicionar no momento delicado que vivemos, mas sem a intenção de desrespeitar ou contrariar ninguém.

Após conversar com alguns especialistas, estou convicto que um dos principais fundamentos da Saúde Pública, frente a uma pandemia como a que estamos vivendo, é o comando único. Penso que devemos seguir sob a ótica da saúde e da vida, guiando-nos assim pelas orientações do Governo Federal, mas sem deixar de respeitar também a territorialidade do Brasil, os governos estaduais e municipais que certamente devem todos estar – e penso que estão – respaldados e orientados pela Organização Mundial de Saude (OMS), por infectologistas e outros especialistas do nosso país.

A minha formação acadêmica é na área de saúde, onde atuo profissionalmente há mais de 40 anos. Dediquei a minha vida a cuidar da saúde das pessoas, além dos seus anseios e problemas. Conheço um pouco de economia, mas não sou nenhum especialista.

O fato é que o COVID-19 ainda não foi decodificado totalmente pelos cientistas, portanto, os líderes dos governos, juntamente com a comunidade científica do Brasil e do mundo, estão observando atentamente o que ocorreu e ainda ocorre em diversos países onde o Coronavírus chegou anteriormente. É importante ressaltar que a comunidade científica recomenda o isolamento amplo (horizontal) e que várias cidades e países que não agiram desta forma no princípio do contato com o vírus, agora se viram obrigados a seguir esta recomendação. Alguns inclusive já adotaram o “lockdown”, que consiste no isolamento total e obrigatório de toda a população.

Por isso, neste momento, pouco importa o que eu ou você pensamos sobre o assunto. Em situações extremas como esta, o mais sábio a se fazer é seguir as orientações dos especialistas. Hoje, mais do que nunca, eu escolho a ciência em detrimento do “achismo“.

Como vereador – até o dia 30/03/20 – tenho sido cobrado a olhar o momento atual também pela perspectiva econômica. E é claro que reconheço a enorme importância de falarmos sobre isso, uma vez que todos já estão começando a sentir os efeitos gravíssimos gerados pela pandemia. Muitos brasileiros já estão sofrendo e ainda sofrerão muito com essa paralisação. As consequências serão graves e já são inegáveis.

Ainda assim, minha maior preocupação continua sendo com a vida, sempre e em primeiro lugar. Essa é a minha visão como cidadão e profissional da saúde. Gostaria que fosse respeitada, na mesma medida em que respeito visões contrárias. É importante lembrar que as redes sociais não têm se mostrado um fórum eficiente para discussões profundas, mas sim superficiais e cheias de recortes falaciosos.

Do ponto de vista econômico, o ministro da Economia já deu os primeiros passos para lidar com os desafios que nos esperam como nação. Segundo ele, medidas maiores e mais amplas virão para amenizar os problemas financeiros dos trabalhadores, idosos, pessoas com deficiência, microempresários e profissionais liberais, assim como o respaldo de empresários para que consigam manter postos de trabalho, não deixando assim milhões de brasileiros desempregados e desamparados em um momento como este. Acredito que Governadores e Prefeitos, dentro de suas possibilidades, seguirão o mesmo caminho.

Passado o pico do contágio, que os especialistas estimam que seja em abril, a abertura de todos os estabelecimentos se dará gradativamente e seletivamente, possibilitando que voltemos à normalidade aos poucos. Mas ainda não chegamos lá, segundo o que o próprio ministro da Saúde disse em outras palavras durante pronunciamento neste sábado (28/3/2020). Agora é o momento de mantermos abertos apenas os serviços considerados essenciais para o enfrentamento do Coronavírus. Respaldado por esta visão, o ministro criticou movimentos como carreatas em algumas cidades para a reabertura imediata do comércio.

Ainda não temos receita ou manual para lidar com esse vírus, tampouco vacina para erradicá-lo. Portanto, acredito apenas em especialistas e autoridades que defendem o isolamento social como prevenção neste momento crucial.

Infelizmente, as redes sociais estão repletas de “entendidos” em saúde pública, epidemiologia, economia e finanças. Outros insistem em publicar e compartilhar fake news que só confundem e atrapalham as nossas cabeças em uma situação já tão caótica por si só.

Politicamente falando, está mais do que na hora de todos se unirem pelo Brasil e pelo seu povo. Incluindo integrantes dos Poderes Executivo e Legislativo, de todas as orientações políticas, que estão nos cargos, buscam a reeleição ou que pretendem um dia ocupá-los. A cisão partidária e a disputa política não têm espaço agora. Vimos isto acontecer em alguns países e os líderes não tiveram escolha senão dar trégua às discussões menos importantes neste momento. Não é hora de procurar culpados. Passada a crise, o Brasil vai lavar a sua roupa suja. Vamos manter a calma, parar de destilar ódio e agir estrategicamente para sairmos dessa juntos. Quem não está fazendo isso, rema na contramão do momento grave pelo qual todos estamos passando.

Agora é hora de pensar nas pessoas que estão ao nosso lado e distantes de nós também. É hora de ajudar como puder, dentro das suas possibilidades, procurando contribuir, por exemplo, com o Fundo Social de Solidariedade da sua cidade. É hora de cuidar da sua saúde, pra assim zelar pelo bem-estar dos idosos e demais grupos de risco. Nós brasileiros podemos ter muitos defeitos, mas somos repletos de virtudes. E uma delas, sem dúvida, é a solidariedade.

Faço esta publicação hoje baseado nos acontecimentos dos últimos 10 dias e sem a pretensão de receber elogios ou críticas por isto. Não procuro incitar uma discussão aqui nas rede sociais, um espaço pouco propício para diálogos mais profundos. Espero apenas fazer a minha parte como cidadão e homem público, levando a reflexão acima ao maior número de pessoas que eu puder, para que possamos nos unir e nos apoiar em um dos momentos mais difíceis que todos nós já vivemos. Então conte comigo pra isso!

Com carinho, Braz.


* Braz Antunes é cirurgião-dentista e vereador na cidade de Santos (SP)