A desordem funcional dos maxilares é possivelmente relacionada a fatores genéticos, situações de estresse, tensão, ansiedade ou a problemas físicos de oclusão ou fechamento inadequado da boca, e tende a se tornar mais frequente em momentos onde o indivíduo se sinta ou esteja mais nervoso, ansioso, estressado, preocupado. E o cenário atual da pandemia de COVID-19 anda despertando todos esses sentimentos e sensações.

Diante disso, pacientes têm se queixado de dores e crises aumentadas durante o período de quarentena. A dra. Adriana Lira, membro da Sociedade Brasileira de Disfunção Temporomandibular e Dor Orofacial, afirma que “o estado psicológico tem relação direta com quadros dolorosos e, em situações de tristeza, estresse ou ansiedade, o indivíduo tende a relatar maior frequência e intensidade da dor.”

De acordo com a especialista, pode-se dizer teoricamente que o estresse ocasionado pela quarentena tem afetado, principalmente, o bruxismo em vigília, onde a pessoa mantém a contração dos músculos da mandíbula por um logo período, podendo ficar com os dentes encostados ou apertados. “Esse tipo de bruxismo está bastante relacionado a situações de estresse e ansiedade. A quarentena está sendo um período tenso e que pode sim estar determinando o aumento dessas crises.”

Quadros de disfunção temporomandibular (DTM) podem surgir acompanhados de dor e, se a dor for de origem muscular e não estiver cronificada, compressas de água morna e exercícios de alongamento oferecem alívio.

A especialista indica alguns tratamentos paliativos para alívio das dores. “Meditação, técnicas de relaxamento e atividade física ajudam a aliviar quadros dolorosos que podem acompanhar a DTM. Já para o bruxismo em vigília, o paciente pode lançar mão de técnicas recordatórias para relaxar os músculos, que podem ser adesivos, bilhetes ou aplicativos desenvolvidos com essa finalidade.”

Vale ressaltar que a dor é um sintoma que caracteriza urgência, visto que além de estar sinalizando alterações do organismo, pode provocar desconforto significativo para o indivíduo. “Alterações de rotina e impacto negativo na qualidade de vida também são relatados e o ideal é proporcionar alívio da dor. Por isso, mesmo dentro da quarentena, caso o paciente apresente um quadro de dor forte deve entrar em contato com o seu especialista”, finaliza.