Boris Johnson , o premier britânico recebe alta depois de 1 semana de UTI para combater o covid-19 e afirma para o mundo que deve a vida ao serviço público de saúde britânico, o  NHS (National Health System). Este fato leva-nos a pensar no papel do nosso SUS que tem um batalhão heroico de profissionais de saúde formado por 47.725 equipes de Saúde da Família, nestas incluídos os cirurgiões-dentistas, lutando contra a pandemia em nosso país, com as conhecidas dificuldades que vão desde a falta de recursos, de equipamentos e leitos para as vítimas, até os graves riscos à própria vida desses profissionais que estão à frente desta batalha diuturna.

Neste aspecto é importante colocar os protagonistas que estão salvando milhares de vidas e que formam um pelotão de 3,5 milhões de profissionais entre as equipes de médicos, cirurgiões-dentistas, nutricionistas, fisioterapeutas, enfermeiras, psicólogos e o apoio de técnicos e auxiliares de enfermagem e outros ligados à saúde do SUS.

Em conformidade com o Ministério da Saúde, o CFO informa que é obrigatório o cadastramento e a capacitação de nossos estudantes e profissionais contra a pandemia no Brasil, no entanto fica a critério do profissional cadastrado trabalhar na linha de frente contra a COVID-19 após a convocação. O CFO ressalta a importância da capacitação de cirurgiões-dentistas, profissionais técnicos e auxiliares sobre os protocolos de atendimento, frente aos casos de suspeita ou confirmação de pacientes contaminados pelo novo Coronavírus, tanto no momento de assistência odontológica emergencial, quanto em atendimentos eletivos futuros. A orientação abrange profissionais da rede pública e privada.

Neste momento crucial para salvar vidas das consequências da pandemia, há aspectos que a ABCD – Associação Brasileira de Cirurgiões-dentistas gostaria de ressaltar. Temos vivido emergências de todos os tipos, desde aquelas do aporte de recursos financeiros para enfrentar a assistência urgente das necessidades primárias do atendimento, ao reforço às equipes especializadas imprescindíveis ao tratamento integral dos pacientes atingidos pelo coronavírus – é um número que não para de crescer – até o envolvimento real dos setores empresarial, pesquisa científica com um grande  esforço de cada área, seja institucional, privada ou voluntária, que a cada dia dá um passo adiante para auxiliar a salvar vidas. Sem dúvida alguma, a saúde no país terá outro olhar a partir desta pandemia. Muita coisa deverá ser revista e mudada ou reforçada.

A exemplo do ministro britânico é hora também de nos conscientizar do papel do profissional do nosso Sistema Único de Saúde (SUS). É ele o elemento central no enfrentamento da pandemia, o que primeiro estende a mão para salvar a vida em perigo, sob graves riscos de contaminação para si. É ele o último a deixar as longas jornadas sem descanso, com a face marcada pelo uso necessário e permanente de máscaras, o afastamento da família, a exaustão. Toda esta dedicação é a responsável pelo salvamento de milhares de vidas. Ele não tem um rosto, ele é incógnito para a maioria da população, mas é dele e de seu esforço que depende tirar das mãos da morte o seu conhecido, seu parente, sua mãe, você.

A ABCD destaca, neste momento crucial de preservar a vida dos brasileiros, a importância de alguns aspectos: é da soma dos profissionais do SUS, dos cirurgiões-dentistas e dos voluntários, incluídas as doações de empresas, universidades, de pessoas comprometidas e da ciência, que resultam os esforços conjuntos de brasileiros dedicados.

Os cirurgiões-dentistas de mais de 47 mil Unidades de Saúde da Família de todo o Brasil estão empenhados e fazendo parte da equipe de profissionais da saúde. Acreditamos que juntos podemos fazer diferença, pois a boca é a porta de entrada da doença mas também do tratamento e da saúde.

Começamos este artigo citando uma frase do ministro Boris Johnson sobre o NHS britânico e gostaria de encerrá-lo com as palavras do nosso ministro Luis Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, em recente entrevista: “Conhecimento e inovação andam lado a lado da educação básica. Os hospitais públicos e privados têm nas mãos decisões técnicas, mas também escolhas trágicas a tomar em face do vírus letal. O SUS é o maior programa social do mundo e tem enorme responsabilidade na preservação de vidas. Devemos ter em mente que a integridade vem antes da ideologia.”

É este o desafio que devemos nos impor, compartilhando-o com nossos cirurgiões-dentistas voluntários e com os estudantes de Odontologia que são chamados a fazer parte de equipes dedicadas a salvar vidas na luta contra o Covid 19.


*Silvio Cecchetto é presidente da Associação Brasileira de Cirugiões-dentistas  – ABCD