A teleodontologia é a área da prática odontológica que incorpora a aplicação de tecnologias que otimizem processos, tais como a assistência e a educação.

É uma ciência que deriva da telemedicina, cujas aplicações são contemporâneas ao advento da internet, com a comunicação facilitada entre órgãos educacionais e de saúde, na busca por agilização de processos.

Há potencialidades para a teleodontologia, que vem sendo estudada desde a década de 90 no Brasil, com aplicações educacionais importantes que apóiam a adoção das tecnologias de informação e comunicação (TIC) na prática diária odontológica.

O Brasil incorpora as ações de Telessaúde desde 2006/7, a partir de umProjeto Piloto, que veio a se tornar o Programa Telessaúde Brasil Redes, englobando as aplicações possíveis em ações importantes de assistência e educação, estas últimas mais tarde organizadas pela Universidade Aberta do SUS(UnaSUS).

A FOUSP mantém desde 2007 o Núcleo de Teleodontologia, a partir das ações educacionais que a Faculdade mantinha desde a década de 90, por meio das Disciplinas de Patologia Geral e Endodontia, sendo adotadas posteriormente pelas demais disciplinas. Essa experiência se espalhou no país, com muitos cursos inciando o processo de sensibilização de novos profissionais para sua aplicação.

Em meio a pandemia da covid-19, percebeu-se um dos valores da ciência em estudo: é recomendável ao cirurgião-dentista que prioritariamente atenda casos de urgência odontológica, mas são as tecnologias que podem auxiliar na qualificação de tais casos, permitindo o diálogo entre profissionais e pacientes, checando o estado de saúde geral e  auxiliando no direcionamento ao serviço apropriado, em casos suspeitos de covid-19. Diversos países valorizaram as aplicações teleodontológicas, principalmente porque a Odontologia é uma atividade profissional com alto risco de contaminação para a equipe de saúde bucal; este foi o momento de preservar a vida dos profissionais com apoio das TIC.

A regulamentação da teleodontologia, realizada pelo CFO em junho de 2020, suporta aplicações asseguradas nas atividades privadas e públicas, no escopo legal do exercíco profissional, com limites claros, evitando o oportunismo do mercado e determinando a preservação do profissional e do paciente. As informações relativas a essas práticas têm que estar devidamente registradas e resguardadas. Esta ação aseegura valorização da Odontologia  em seu escopo global.

É necessário lembrar que a incorporação das tecnologias na prática diária das Ciências da Saúde não terá um nome distinto por muito tempo, pois em breve a Ciência Odontológica assumirá as aplicações tecnológicas como ferramentas usuais, assim como todas as atividades diárias que já não se separam do uso de aplicativos facilitadores da comunicação, que agregaram muitos recursos no dia a dia. Destacam-se aqui aa possibilidades dos encontros virtuais (telepresença) para reuniões familiares, de trabalho, atividades educacionais e outras, em um tempo de distanciamento social determinado como preservador da saúde e da vida humana. Ao retornarmos à rotina dentro do “novo normal”, as TIC serão parte integrante, assim como as tecnologias em hospitais e clínicas odontológicas.

Uma vez regulamentada, a ciência passa a fazer parte da profissão que restaura os sorrisos, ainda que estes se mantenham por algum tempo sob as diversas máscaras coloridas.