As hepatites virais, doença que pode apresentar cinco variações (A, B, C, D e E) de acordo com o vírus responsável, apresentam acometimento do fígado e precisam de muita atenção na hora de identificar seus sintomas, já que todos os seus tipos possuem manifestações semelhantes. Os cirurgiões-dentistas estão aptos para identificar e auxiliar o paciente em casos de suspeita da doença. Por isso, é importante que, no momento da anamnese sejam feitas perguntas que possam ajudar na identificação de sintomas ligados às hepatites, tais como fadiga, mal-estar, náuseas, dor abdominal, prurido, urina escura, fezes brancas, entre outros.

Os vírus de maior importância à prática odontológica são os das hepatites B, C e D, pois apresentam risco de transmissão no consultório e possibilidade de se tornarem doenças crônicas. Estes vírus estão presentes em fluidos corporais, inclusive sangue e saliva.

“A anamnese é um momento muito importante do exame clínico, uma vez que o cirurgião-dentista e sua equipe podem suspeitar das hepatites virais. Seus sintomas, bem como as vias de transmissão, devem ser conhecidos para orientar a consulta”, alerta o cirurgião-dentista e presidente da Câmara Técnica de Patologia Oral e Maxilofacial do Conselho Regional de Odontologia de São Paulo (CROSP), Fábio Coracin.

Uma semana – Identificado algum dos sintomas relacionados à doença, é importante que o cirurgião-dentista solicite exames complementares, oriente e encaminhe o paciente, além de ativar ao máximo as técnicas de biossegurança para garantir que não haja contaminação cruzada ou de sua equipe. “Os vírus das hepatites B e C apresentam viabilidade e estabilidade em superfícies por até uma semana. Portanto, é importante delimitar a área de trabalho, desinfectar as superfícies e esterilizar – com calor húmido por autoclave – todo material que não se possa descartar”, orienta Fábio.

Para garantir que a equipe esteja totalmente segura, é importante lembrar-se da vacinação contra as hepatites virais e checar se todos estão protegidos do vírus.

COVID-19 – Com a covid-19, que tem como principais vias de transmissão à inalação de gotículas e aerossóis, potencializaram-se os cuidados de proteção e biossegurança nos consultórios odontológicos. Sendo assim, as precauções-padrões citadas acima devem ser tomadas independentemente de diagnóstico confirmado ou presumido de doença infecciosa transmissível.

Recomendações – Alguns procedimentos odontológicos são produtores de aerossóis e fazem parte das recomendações específicas para essas e outras operações: a higienização das mãos, o uso de jaleco e gorro descartáveis, óculos de proteção, protetor facial e respirador tipo PFF2/N95. Maiores detalhes sobre a biossegurança estão no Manual de Biossegurança do CROSP e podem ser consultados a qualquer momento.

CRO-SP – Hoje, o CROSP conta com mais de 145 mil profissionais inscritos. Além dos cirurgiões-dentistas, detém competência também para fiscalizar o exercício profissional e a conduta ética dos Técnicos em Prótese Dentária, Técnicos em Saúde Bucal, Auxiliares em Saúde Bucal e Auxiliares em Prótese Dentária.