Por: Adriana Zink*

No Estado de São Paulo temos 94.930 cirurgiões-dentistas inscritos no Crosp, sendo 32.339 na Capital e com inscrição na especialidade de Odontologia para pacientes com necessidades especiais (OPNE). No Estado temos 266 especialistas, sendo 142 na capital.

Fonte 1:
http://www.crosp.org.br/intranet/estatisticas/estMunicipios.php).

A cidade de São Paulo tem aproximadamente 810.000 pessoas com alguma deficiência, sendo mais de 127.000 com deficiência intelectual que necessitam de inúmeras adequações para que a Lei brasileira de inclusão- LBI (Fonte 2) seja cumprida garantindo os direitos constitucionais básicos de acesso à saúde e educação.

Fonte 2: https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/pessoa_com_deficiencia/cadastro_inclusao/dados_censoibge/index.php?p=43402)

Sabemos que nem toda pessoa com deficiência necessita ser atendido por um especialista em Odontologia para OPNE, mas algumas necessidades deverão ser contempladas para que tenha acesso à promoção de saúde bucal. Podemos pensar em adequações arquitetônicas como rampas, corrimão, banheiro adaptado e acessível, como também acessibilidade de comunicação. Temos muitos deficientes auditivos que tem dificuldade na comunicação com o cirurgião-dentista. As barreiras são inúmeras e o especialista em OPNE tenta equilibrar essas dificuldades.

Considero um Problema de Saúde Pública a falta de profissionais para o atendimento na maior cidade do país e onde está concentrado o maior número de especialistas.

Nossa especialidade também acolhe o paciente com comprometimento sistêmico, pois apresenta uma ou algumas necessidades especiais para que o atendimento ocorra com segurança. Sendo assim o número de pacientes atendidos pela especialidade de OPNE é grande diante do número insignificante de especialistas.

A disciplina não é obrigatória em todas as universidades e essa luta vem de muito tempo para que se torne obrigatória. Entendemos que desta forma podemos, enquanto professores, motivar nossos alunos para a especialidade. O preconceito em torno da especialidade é por falta de conceitos. Se o aluno recebe o conceito ele pode despertar o interesse para a área e aumentar o número de especialistas futuramente.

Os professores de OPNE de todos os Estados do Brasil fazem um trabalho motivacional dentro de suas instituições para esse fim.

Queremos uma Odontologia de qualidade e acessibilidade para qualquer cidadão e que o direito a saúde seja contemplado para todos.


*Dra Adriana Zink

Doutora em Odontologia com ênfase em pacientes especiais; Mestre em Ciências da Saúde; Especialista em Odontologia para pacientes com necessidades especiais; Especialista em Educação na perspectiva de materiais estruturados para o autismo; Membro do Conselho estadual da PcD – SP; Coordenadora estadual do Movimento orgulho autista Brasil – SP; Presidente da Câmara técnica de OPNE do Crosp; Vencedora do VI Prêmio Orgulho autista Brasil ; Docente na Universidade Anhanguera – campus Marte