A Covid-19 é uma infecção viral que pode ocasionar uma série de reações responsáveis por desequilibrar doenças cardiovasculares que antes estavam compensadas. Segundo dados do Ministério da Saúde, o perfil mais comum entre as 100 mil vítimas que foram a óbito pela doença no Brasil é classificado como homem, idoso e cardiopata. Em pacientes com doenças prévias no coração, as alterações no sistema imunológico podem acontecer de forma mais rápida e intensa, além de evoluir para piora do quadro de Covid-19.

Riscos – O risco de agravamento pela doença atinge pacientes crônicos que já tiveram alguma doença cardíaca como infarto do miocárdio, insuficiência cardíaca, hipertensão arterial severa ou arritmias complexas. “Recomenda-se que esses pacientes tenham cuidados redobrados na prevenção, e que mantenham o controle de suas doenças de base, visitando regularmente o cardiologista. Caso surjam novos sintomas ou instabilização do quadro clínico é importante manter contato com o seu médico”, esclarece o Dr. Leopoldo Piegas, cardiologista e especialista em infarto agudo do miocárdio.

Como a covid-19 afeta o coração? – O coração é afetado quando os tecidos inflamam e são liberadas citocinas, que chegam ao órgão através da corrente sanguínea e pode afetar, também, o miocárdio e as artérias coronárias. Existe o risco de instabilização de placas de ateroma, que provoca isquemia ou infarto do miocárdio.

“Além disso, quadros inflamatórios pulmonares podem levar à piora da oxigenação, fazendo o coração trabalhar de forma forçada, para bombear o sangue mais rapidamente e auxiliar na compensação. Esse estresse é um dos fatores que contribuem para danificar as artérias e afetar o coração”, explica o médico.

Os sintomas de um infarto agudo do miocárdio ou de descompensação de insuficiência cardíaca podem estar mascarados pelos sintomas da covid-19. “Então é extremamente importante que os pacientes cardiopatas sigam o tratamento correto e mantenham rigorosamente as ações de prevenção, diz”.

Complicações cardíacas e coronavírus: O quadro clínico da Covid-19 é semelhante ao de outras viroses respiratórias, em 80% dos casos, os sintomas são leves. O que chama a atenção, além das manifestações pulmonares, bastante frequentes, são as complicações cardíacas desta doença no grupo de indivíduos que apresentam as formas moderadas a graves. Por isso a população com comorbidades cardiovasculares merece uma atenção especial.

40% dos internados -Dentre os pacientes hospitalizados pelo coronavírus, cerca de 50% possuem doenças crônicas sendo que 40% destas são doenças cardiovasculares. “A infecção viral leva a uma série de reações responsáveis por desequilibrar doenças cardiovasculares que antes estavam compensadas. O aumento da demanda de O2 pode gerar sobrecarga cardíaca e piorar doenças como insuficiência cardíaca e a doença arterial coronariana. Em pandemias passadas por vírus respiratórios a mortalidade por doenças cardiovasculares chegou a ultrapassar todas as outras causas, ficando à frente da pneumonia em outras situações”, alerta o médico.

Infartos – Além disso, outras pandemias virais como SARS e MERS causaram miocardite e insuficiência cardíaca de rápida progressão, assinalando que o coronavírus pode ter potência de infectar o coração. Esses vírus foram implicados em descompensação de doença arterial coronariana com ruptura de placa e infarto agudo do miocárdio.

Cuidados  – Pelo seu alto poder de se espalhar, além de permanecer por muito tempo fora do corpo humano, as medidas de prevenção pessoal, como lavagem das mãos, uso de máscaras e distanciamento social, por exemplo, são prioridades e devem ser estimuladas em pacientes cardiopatas, principalmente em locais onde o foco de contaminação é maior.

Os idosos têm menos probabilidade de apresentar febre, portanto quadro com tosse, dispneia, mialgia deve ser valorizado nessa população. “Os tratamentos sugeridos em diretrizes para pacientes cardiopatas podem oferecer proteção adicional nesses casos e devem ser avaliados individualmente. As vacinas de gripe e pneumonia devem estar em dia nessa população, a fim de evitar uma infecção secundária caso sejam acometidos pelo coronavírus”, orienta o cardiologista.

Mascarado – Os sintomas de um infarto agudo do miocárdio podem estar mascarados pelos sintomas do coronavírus. “Todos os pacientes cardiopatas devem seguir o tratamento rigoroso, estar em dia com as vacinas e lavar as mãos com frequência. Esta é uma pandemia de destino ainda incerto e novas informações podem surgir com o passar do tempo”, afirma.

Prevenção redobrada – Os cardiopatas são do grupo de pacientes que tem o maior risco de desenvolver a forma grave da doença, mesmo tendo apenas hipertensão arterial, a prevenção deve ser dobrada. “São medidas preventivas como manter o isolamento social, evitar aglomerações e sempre que possível trabalhar de casa. Ao sair de casa usar a máscara corretamente e praticar a higienização frequente das mãos com álcool em gel ou água e sabão”, diz o profissional.