PREVENÇÃO E FATORES DE RISCO

Exposição excessiva ao sol, ter a pele clara, história prévia de câncer de pele, história familiar de melanoma, nevo congênito (pinta escura), maturidade (após os 15 anos de idade a propensão para esse tipo de câncer aumenta), xeroderma pigmentoso (doença congênita que se caracteriza pela intolerância total da pele ao sol, com queimaduras externas, lesões crônicas e tumores múltiplos) e nevo displásico (lesões escuras da pele com alterações celulares pré-cancerosas) são fatores de risco para o câncer de pele melanoma.

Câmaras de bronzeamento artificial também são fontes de radiação UV e estão associadas ao melanoma. No Brasil, desde 2009, essas câmeras foram proibidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

 

DETECÇÃO PRECOCE

As estratégias para a detecção precoce do câncer são o diagnóstico precoce (abordagem de pessoas com sinais e/ou sintomas iniciais da doença) e o rastreamento (aplicação de teste ou exame numa população assintomática, aparentemente saudável, com o objetivo de identificar lesões sugestivas de câncer e, a partir daí encaminhar os pacientes com resultados alterados para investigação diagnóstica e tratamento) [1].

Diagnóstico Precoce

A estratégia de diagnóstico precoce contribui para a redução do estágio de apresentação do câncer [2]. Nessa estratégia, destaca-se a importância de ter a população e os profissionais aptos para o reconhecimento dos sinais e sintomas suspeitos de câncer, bem como o acesso rápido e facilitado aos serviços de saúde.

Rastreamento

O rastreamento do câncer é uma estratégia dirigida a um grupo populacional específico em que o balanço entre benefícios e riscos dessa prática é mais favorável, com maior impacto na redução da mortalidade. Os benefícios são o melhor prognóstico da doença, com tratamento mais efetivo e menor morbidade associada. Os riscos ou malefícios incluem os resultados falso-positivos, que geram ansiedade e excesso de exames; os resultados falso-negativos, que resultam em falsa tranquilidade para o paciente; o sobrediagnóstico e o sobretratamento, relacionados à identificação de tumores de comportamento indolente (diagnosticados e tratados sem que representem uma ameaça à vida) e os possíveis riscos do teste elegível [3].

Não há evidência científica de que o rastreamento do câncer de pele melanoma na população geral traga mais benefícios do que riscos e, portanto, até o momento, ele não é recomendado [1,4].

As pessoas com alto risco para melanoma, como as que têm história pessoal ou familiar desse câncer, podem se beneficiar de um acompanhamento periódico por um médico [5,6].

Apesar de não haver evidências de redução da morbimortalidade pelo uso de uma técnica específica de autoexame de pele, estudos indicam que grande parte dos melanomas é descoberta acidentalmente pelos próprios pacientes ou seus familiares, mostrando a importância de conhecerem sua pele e estarem atentos a algumas mudanças [5].

A sensibilização de pessoas de maior risco possibilita que, com a identificação de lesões suspeitas, o diagnóstico desse câncer possa ser realizado precocemente por um médico. A maioria dos melanomas se parecem com pintas ou surgem sobre uma pinta, geralmente possuem cor preta ou marrom, mas também podem ser rosas ou da cor da pele [7].

Os principais sinais e sintomas relacionados ao melanoma são apresentados na regra do ABCDE, direcionado a avaliação de características de pintas e sinais [8]:

  • Assimetria: uma metade do sinal é diferente da outra;
  • Bordas irregulares: contorno mal definido;
  • Cor variável: presença de várias cores em uma mesma lesão (preta, castanha, branca, avermelhada ou azul);
  • Diâmetro: maior que 6 milímetros;
  • Evolução: mudanças observadas em suas características (tamanho, forma ou cor).

Atualmente a dermatoscopia é uma ferramenta fundamental no diagnóstico precoce, principalmente naqueles pacientes que apresentam múltiplas “pintas”, quando elas são monitoradas, poupando assim o portador de uma biópsia, que entre outros inconvenientes pode deixar indesejadas cicatrizes.

Referências:

  1. WORLD HEALTH ORGANIZATION. Prevention. Geneva, 2007. (Cancer control: knowledge into action: WHO guide for effective programmes). Disponível em: < http://www.who.int/cancer/publications/cancer_control_detection/en/>. 
  2. WORLD HEALTH ORGANIZATION. Guide to cancer early diagnosis. Geneva: World Health Organization; 2017. Licence: CC BY-NC-SA 3.0 IGO
  3. BRASIL. Ministério da Saúde. Rastreamento. Brasília, DF, 2010. (Série A: Normas e Manuais Técnicos) (Cadernos de Atenção Primária, n. 29).
  4. USTaskForce.Recommendation Statement of Skin Cancer in Adults: Screening. Disponível em: https://www.uspreventiveservicestaskforce.org
  5. Cancer Council Australia and Australian Cancer Network, Sydney and New Zealand Guidelines Group. Clinical Practice Guidelines of the Management of Melanoma in Australian and New Zealand. Wellington: Australian Cancer Network Melanoma Guidelines Revision Working Party; 2008 Available from: http://www.nhmrc.gov.au/_files_nhmrc/publications/attachments/cp111.pdf
  6. American Cancer Society Skin cancer.  Disponível em:  https://www.cancer.org/cancer.html 
  7. NICE guideline Suspected cancer: recognition and referral. Published: 23 June 2015. Disponível em:  https://www.nice.org.uk/guidance/ng12
  8. INCA. Informativo Detecção Precoce. Câncer de pele. Nº 3, 2016. Disponível em: http://www1.inca.gov.br/inca/Arquivos/informativo_deteccao_precoce_03_20…

DIAGNÓSTICO

O diagnóstico do melanoma, há poucos anos, era realizado somente através do exame clínico e da histopatologia.

Atualmente, a dermatoscopia vem se mostrando uma poderosa ferramenta no diagnóstico desse tumor. No entanto, precisa ser complementada com o exame histopatológico, que além de confirmar o diagnóstico apontará a indicação precisa do tratamento.

Uma grande virtude da dermatoscopia é poupar alguns pacientes de um exame invasivo (biópsia), que deixaria uma cicatriz cirúrgica.

 

TRATAMENTO

O tratamento do melanoma quando realizado prematuramente obtém taxas de cura próximas a 100%. Nesse momento, o tratamento é basicamente cirúrgico, devendo o dermatologista/cirurgião oncológico respeitar os protocolos vigentes, que determinam as margens cirúrgicas do tumor.

Já para melanoma metastático, para o qual até alguns anos atrás somente eram oferecido cuidados paliativos, com a chegada da imunoterapia e da terapia-alvo, atualmente disponibiliza-se novas drogas, que vêm alcançando altas taxas de sucesso.

 

ESTUDOS CLÍNICOS ABERTOS

Confira os estudos clínicos abertos para inclusão de pacientes no INCA.

 

Fonte: INCA  Clique para ir ao site do INCA