O médico, professor da Escola de Medicina da PUCRS e pesquisador do Instituto do Cérebro (InsCer), Thiago Wendt Viola (foto abaixo), foi contemplado no edital Grand Challenges Explorations – Brasil: Ciência de Dados para melhorar a Saúde Materno Infantil, Saúde da Mulher e Saúde da Criança no Brasil. A chamada financiará propostas inovadoras que utilizem análises de bancos de dados e técnicas de machine learning para entender os principais fatores que impactam a saúde materno-infantil, a saúde das mulheres e das crianças no Brasil e propor soluções nessas áreas.

O projeto intitulado Fatores Preditivos de Resposta a Tratamento Oferecido pelo SUS para Mulheres Usuárias de Cocaína-crack: análise epigenômica e de algoritmos de aprendizagem supervisionada, foi submetido ao tema Saúde da Mulher – Identificação de fatores associados ao consumo abusivo de álcool e outras drogas entre mulheres e seus impactos na saúde. Este foi o único projeto gaúcho contemplado.

De acordo com o pesquisador, a pesquisa tem como objetivo identificar fatores clínicos, sociodemográficos, psicossociais, neurocognitivos e epigenômicos que possam predizer a resposta ao tratamento de desintoxicação ofertado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), para mulheres usuárias de cocaína-crack. Estes resultados podem diretamente auxiliar a orientação de políticas públicas e o desenvolvimento de métodos de prevenção e intervenção mais eficazes.

Além disso, utilizará da aplicação de métodos de inteligência artificial e aprendizagem supervisionada na análise de dados. Ainda, esta proposta inclui a criação de mecanismos de apoio para profissionais de saúde que trabalhem com a população-alvo estudada.

Conhecimento compartilhado  – Os resultados gerados na pesquisa serão a base para o desenvolvimento de um curso de extensão on-line, que será direcionado para a divulgação dos dados visando aplicabilidade para os profissionais do SUS. “O curso visa multiplicar o conhecimento gerado para profissionais de saúde vinculados a serviços especializados no tratamento da dependência química, contribuindo para a formação e aprimoramento dos mesmos”, adiciona o pesquisador.

O projeto é fruto da colaboração entre serviços de saúde, grupos de pesquisa nacionais e internacionais, que já desenvolvem projetos relacionados a problemas decorrentes do uso de cocaína-crack. Ao longo dos últimos 10 anos, a equipe do Laboratório de Neurociência Cognitiva do Desenvolvimento (DNCL) da PUCRS, coordenado por Viola e pelo professor Rodrigo Grassi, realizou um amplo mapeamento e coletaram dados de usuário(a)s de cocaína-crack no Rio Grande do Sul.