A Unicid realizou pesquisa que aponta os impactos da pandemia na saúde do idoso. Docentes de doutorado e mestrado em Fisioterapia e alunos de pós-graduação da Instituição realizaram o estudo em 22 estados do Brasil. O grupo chegou aos seguintes resultados:

“A pandemia do coronavírus trouxe muitos desafios para a sociedade, atingindo o Brasil em um cenário de grandes desigualdades socioeconômicas e de saúde”. Diante disso, os idosos são o grupo mais impactado, tanto quanto a mobilidade dessa população e também o modo como a paralisação de tratamentos, por exemplo, foi diretamente afetada.

Em grupo – Docentes de Fisioterapia e alunos da Universidade Cidade de São Paulo (Unicid), instituição que integra o grupo Cruzeiro do Sul Educacional, em conjunto com docentes e pesquisadores da Unicamp, IFRJ, Faculdade de Medicina de Jundiaí, Universidade de Pernambuco, UFMG, Universidade de Otago e Hospital Albert Einstein, que integram a Rede de Pesquisa REMOBILIZE, realizaram um estudo para investigar o impacto imediato da pandemia na mobilidade e saúde de idosos brasileiros.

Idealizada pela professora de doutorado e mestrado em Fisioterapia da Unicid, e consultora externa em dois projetos na Organização Mundial de Saúde (OMS), Monica Perracini, a pesquisa está sendo realizada virtualmente e por telefone, tendo iniciado em maio de 2020 e vai se estender acompanhando os idosos por um período de 18 meses. Na primeira onda o estudo contou com a participação de 1.482 idosos com 60 anos ou mais, de 22 estados do Brasil.

Menos mobilidade – A pesquisa apontou uma queda significativa na mobilidade nos espaços de vida (se deslocar na vizinhança, na cidade e fora da cidade) desde o surto da pandemia do COVID-19. “Todos os idosos reduziram seus espaços de vida, mas o impacto foi maior para idosos que moravam sozinhos, com idade entre 70 e 79 anos, e aqueles que se declararam de cor preta. Outras variáveis associadas à mudança na mobilidade nos espaços de vida, em menor grau, foram ser mulher, ter baixa escolaridade e baixa renda”, explica Monica.

Idosos de todas as regiões do Brasil responderam, porém, a predominância foi no Sudeste com 43,2% de respostas, sendo a maior parte mulheres 73,9% e 26,1% homens. Aproximadamente 57% relataram ter duas ou mais doenças, entre elas, Osteoporose, Artrite, Asma, Doença Arterial, Insuficiência Cardíaca, Infarto, Parkinson, Diabetes, Doença Gastrointestinal, Depressão, Derrame (AVC).

Restrição – Ainda segundo a pesquisa, em maio de 2020, 80% estavam seguindo as medidas de restrição social, 46,9% só estavam saindo quando totalmente inevitável, 29,3% isolados completamente, 11,4% saindo e tomando cuidado, 8,9% recebem visitas, 2,8% alegaram que não mudaram a rotina e somente 0,5% ainda saem para caminhar. Já em outubro,  o cenário já havia mudado um pouco: 44,2% estavam saindo quando totalmente inevitável, apenas 11,6% seguiam totalmente isolados, 10,1% restritos em casa mas recebendo visitas, 21,7% relataram estar saindo de casa com cuidado, 2,1% não mudaram a rotina e 3% estavam saindo para caminhar.

Os dados de  2021 estão sendo analisados, mas há uma sinalização de que ainda que vacinados boa parte dos idosos mantêm a restrição do deslocamento fora de casa. Segundo os levantamentos, cerca de 87% dos idosos antes da pandemia circulavam pela vizinhança, número que atualmente caiu para 50%. “Nossos resultados mostraram mudanças significativas na mobilidade dos idosos.

Foto: Arquivo Google/Secretaria Saúde do Gov.MS (Filtro Photoshop)