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Ano IV - Nº 49 -Primeira quinzena de fevereiro de 2002


2001 e 2002:Retrospectiva e perspectiva para este Ano Novo !

Bernardino Marques de Figueiredo Filho*


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Antes de tudo quero desejar aos queridos amigos do Jornal do Site Odonto, um Feliz 2002 e que este ano seja marcado por muito sucesso, realizações, saúde e satisfação pessoal e profissional.

Voltando à nossa coluna, vale a pena fazer uma retrospectiva do que foi 2001 e, com isto, tentar imaginar um cenário para 2002, com alguns dos impactos econômicos e políticos, que poderão afetar a profissão odontológica no decorrer deste ano.

Como, hoje em dia, vivemos em um período de economia globalizada e extrema velocidade das informações, tudo o que ocorre no mundo causa impactos diretos e imediatos no Brasil. Isto tornou 2001 um ano extremamente difícil, complicado e turbulento, fato este que, com certeza, todos nós sentimos no nosso cotidiano e no andamento de cada consultório.

O ano passado começou com uma expectativa de retração da economia dos Estados Unidos, motivada por inúmeros fatores: um novo Governo Bush tomando posse, o "estouro" dos investimentos nas empresas de Internet, o endividamento cada vez maior da população americana e a perda com as quedas nas bolsas americanas no final do ano 2000. Todos estes indicadores já traçavam um cenário ruim para 2001 porém, nenhum futurólogo, economista ou palpiteiro, poderia imaginar os acontecimentos covardes e cruéis do dia 11 de setembro e todo o impacto que estes atentados terroristas impuseram à economia mundial, com a recessão nos Estados Unidos.

Nossos vizinhos argentinos não fizeram a sua lição de casa: estabeleceram uma paridade do peso com o dólar em 1991 com o objetivo de conter a inflação. Conseguiram seu objetivo, porém não fizeram as reformas estruturais necessárias para retomar o caminho do crescimento econômico sustentado e ficaram dependentes demais do bom humor do FMI e dos países ricos para empréstimos de dinheiro. Com os acontecimentos no mundo durante o ano passado, esta fonte secou e o país entrou em um regime tecnicamente de falência. Esperamos que o novo presidente consiga consertar esta situação que o Sr Domingos Cavallo e o Sr. Fernando de la Rua deixaram a Argentina.

Internamente, apesar de acontecimentos louváveis como o afastamento dos "caciques" do Senado após serem pegos em manobras questionáveis publicamente, o Brasil sentiu o impacto dos acontecimentos no mundo e teve sua situação, nesse contexto, piorada pelo anúncio do racionamento de energia. Os investimentos diminuíram em nosso país, as empresas tiveram que passar um ano extremamente complicado, houve um aumento do desemprego e, durante quase todo o segundo semestre, parecia que o caos estava instalado.

A boa notícia do final de ano é que houve uma recuperação de indicadores da economia brasileira, o racionamento de energia baixou para 5 %, o contágio pela crise na Argentina diminuiu consideravelmente, o dólar que estava na estratosfera abaixou para níveis suportáveis e conseguimos, pela primeira vez em sete anos, um superávit da balança comercial ( exportamos mais do que importamos ). Por isto, apesar de termos encontrado um ano passado mais do que turbulento para o Brasil, encerramos 2001 com boas perspectivas para 2002.

De acordo com o economista Paulo Guedes, articulista de economia da Revista Exame, "os Estados Unidos estão no fim de um longo ciclo de expansão produzido pelas novas tecnologias, enquanto o Brasil está no extremo oposto.....O prosseguimento das reformas, o fim da inflação e a queda das taxas de juros abrem espaço para a retomada do crescimento". Para conseguirmos isto, é fundamental que um candidato imbuído destes objetivos e com comprometimento para a continuidade das reformas estruturais seja eleito em novembro próximo.

Tendo este cenário em vista, podemos afirmar que 2002 ainda será um ano bastante difícil, porém será de recuperação e isto abre bons caminhos para o Brasil, principalmente a partir do segundo trimestre.

Na Odontologia, cada vez mais inserida nesse contexto, andaremos cautelosos, porém envolvidos em um espírito otimista para este ano. Seguem abaixo algumas previsões que, acredito, serão importantes para os colegas traçarem um planejamento para 2002:

  • A recuperação econômica trará mais pessoas capacitadas a procurar atendimento odontológico e uma boa perspectiva para o mercado de convênios e credenciamentos, cujo Sindicato das Empresas de Odontologia de Grupo ( Sinog ), prevê uma população de 20 milhões de clientes até o ano 2005.
  • Muitas das faculdades existentes acabarão fechando suas portas por falta de novos alunos para preenchimento das vagas existentes. Um indicador importante é a relação candidato / vaga na Fuvest 2001 que, em Odontologia, marcou apenas 14, 02 ( São Paulo; 7,84 ( Ribeirão Preto ) e 13,93 ( Bauru ).
  • Para racionalizar custos, estabelecer estratégias de marketing conjuntas e aprimorar redes de relacionamento, a tendência é de que os colegas unam-se e criem clínicas multidisciplinares.
  • Novos serviços e formas de atendimento deverão ser desenvolvidas para captação de novos clientes. Não me arriscarei a dizer o que cada colega deve fazer sobre este tema, mas sugiro que o profissional conheça muito bem seu público-alvo para criar estes diferenciais.
  • Não fechem os olhos para as empresas de convênios, pois elas serão uma fonte fundamental de indicação de novos clientes para os seus consultórios ! Aprendam a racionalizar custos, aumentar a produtividade e agradar este público que, com certeza, bons resultados inevitavelmente aparecerão.
  • Apenas terão bons resultados em 2002 os profissionais que, além de serem excelentes clínicos, sejam também excelentes gerentes pois, como visto, o impacto dos acontecimentos na economia recai sobre nossos consultórios e, se não estivermos preparados para isto, o sucesso será apenas uma utopia.

Espero que, com este texto, tenha conseguido apresentar aos colegas um pouco do que aconteceu em 2001 e o que poderá acontecer em 2002, tanto em um cenário macro ( geral ) quanto no micro ( Odontologia ). Tenho a mais absoluta certeza de que, com um correto planejamento, todos nós nos tornaremos felizes e realizados durante este ano.

Estaremos quinzenalmente neste espaço discutindo os temas da nossa profissão e espero encontrar com todos, a partir de março de 2002, nas nossas discussões dentro da Associação Brasileira de Ensino Odontológico ( Abeno ) em São Paulo – SP. Peço a todos que intensifiquem nossos contatos pelo e-mail pois, apenas desta forma, é que conseguiremos trocar idéias e ajudar a nossa classe na busca de um 2002 melhor, mas também 2003, 2004, 2005, etc....

Um grande abraço.

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* O autor é cirurgião-dentista graduado pela Faculdade de Odontologia da USP, Especialista em Administração Hospitalar e Sistemas de Saúde pela Fundação Getúlio Vargas, Especialista em Administração de Empresas - Capacitação Gerencial ( setor de cursos MBA ) da FEA / USP, Coordenador do Curso de Capacitação em Administração e Marketing da Abeno e Gerente de Odontologia da OMINT Assistencial.

E-mails para fbernard@omint.com.br

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