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Ano VI - Nº 91 - Outubro de 2004

O dentista no imaginário popular
Reflexões pós-encontro com Flávio Luce

Elaine Gomes dos Reis Alves*

O Prof. Dr. Flávio Antonio Luce, do Rio Grande do Sul, envia comentários desde o primeiro artigo que publiquei no Jornal do Site Odonto e passamos a nos corresponder com tanta freqüência que nos tornamos amigos “internéticos” e, essa amizade vem acrescentando efeitos positivos em minha vida e proporcionando maior crescimento pessoal e profissional. No mês de agosto tive a satisfação de conhecer pessoalmente o Prof. Flávio Luce, do Rio Grande do Sul, que visitando São Paulo fez questão não só de que nos encontrássemos como também de conhecer o Departamento de Odontologia Social da FOUSP. Nesse rápido encontro conversamos, entre outras coisas, sobre o fato da Odontologia ser uma profissão solitária, o distanciamento do cirurgião-dentista de seu paciente e a importância da disciplina de “Psicologia Aplicada à Odontologia”, ministrada em algumas Faculdades de Odontologia no Brasil (embora seja uma disciplina obrigatória pelo MEC, ela ainda não faz parte do Programa da maioria das Faculdades de Odontologia do país).

Como resultado desse encontro, surgiu a idéia para uma série de artigos sobre Psicologia em Odontologia. Este, sobre Odontologia e o Imaginário Popular será o primeiro; no próximo número pretendo escrever sobre a construção do sujeito (paciente) durante a formação do CD. Caso você tenha interesse em algum tema específico, fique à vontade para fazer contato e enviar a sua sugestão, assim a Odontologia ficará cada vez mais próxima da Psicologia e vice-versa.

A Odontologia, no imaginário popular, é percebida como aquela que provoca dor e desconforto, cara e inacessível à classe baixa e até mesmo à classe média e ainda, que proporciona riqueza ao profissional. O dentista é visto como uma pessoa bem-sucedida, que sente prazer em provocar a dor e o sofrimento e, em nossas últimas pesquisas temos encontrado um novo dado: o CD tem sido percebido como sujo (não lava mãos, não troca luvas, avental sujo, aparência descuidada, consultório sujo e com resquícios do paciente anterior, e o banheiro do consultório sujo e com cheiro desagradável). Os procedimentos odontológicos são percebidos como agressivos e invasivos.

Pesquisando sobre a imagem do dentista veiculada pela mídia, temos obtido os seguintes resultados: A maioria está classificada na categoria relativa à violência do tratamento e ao medo que as pessoas têm do tratamento odontológico; em segundo lugar são abordadas dificuldades de relacionamento entre profissional e paciente, principalmente quanto ao dentista compreender dúvidas, medos e necessidades básicas do paciente; o terceiro lugar se concentra nas dificuldades do profissional quanto ao mercado de trabalho, alta competitividade entre dentistas e doenças ocupacionais; o quarto lugar pertence ao alto custo dos tratamentos que dificulta o acesso da população aos serviços odontológicos e, finalmente, a elevada incorporação de tecnologia como fator de distanciamento do paciente. Encontra-se ainda a percepção de assédio sexual na cadeira odontológica

 


*Elaine Gomes dos Reis Alves – Psicóloga do Centro de Atendimento a Pacientes Especiais - CAPE-FOUSP; mestre em Odontologia pela FOUSP; doutoranda pelo IPUSP; membro do Comitê de Ética em Pesquisa da FOUSP; autora do livro "Profissionais de Saúde: Vivendo e convivendo com HIV/aids", Ed. Santos; professora colaboradora da FOUSP e professora da UNIP/SP – Disciplina Psicologia e Odontologia  E-mail: egralves@usp.br


Veja aqui outros artigos já publicados pela autora
no Jornal do Site Odonto

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