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Ano VII - Nº 100 - Julho de 2005
 

O mal do inverno

Silvana Martani*

 

 O Inverno é uma estação de muitos extremos: uns amam de paixão, o consideram uma estação cheia de charme pelo uso de roupas com tecidos grossos, pelas comidas características e também pelos lugares aquecidos e aconchegantes; outros o detestam, ficam irritados, não gostam das roupas pesadas, se sentem desconfortáveis com o frio, reclamam o tempo todo, não gostam do céu cinza, e se deprimem.

Para algumas pessoas basta o céu estar cinza ou as condições do tempo não estarem muito favoráveis que humor já se altera, corpo se recente, a disposição diminui e tudo fica meio chato, triste.

Esta sensação, que invade a vida de algumas pessoas nestes dias cinzas, é chamada de Depressão Sazonal e recebe este nome por acontecer em decorrência de um ou mais fatores desencadeantes específicos e, quando estes desaparecem, a depressão desaparece também. Nesses casos, um tempo sob o sol pode fazer milagres.

Mas o inverno também desencadeia ou evidencia, pelos mesmos dias cinzas e temperaturas baixas, sintomas da depressão patológica, ampliando o sofrimento de muita gente.

A depressão pode se desenvolver em uma pessoa por várias razões que vão da história familiar (genética e/ou emocional), doenças que causam alterações hormonais, uso de determinados medicamentos, álcool, drogas, doenças mentais, stress ou, ainda, uma perda importante. Mas a depressão como efeito colateral difere da doença e é eliminada ao se tratar à causa.

A depressão é uma doença importante que, muitas vezes, é subvalorizada por apresentar sintomas como tristeza e angústia no seu quadro de sintomas que, experimentados em muitos momentos de nossa vida, mais tarde se resolvem com a elaboração mais apurada do motivo que nos frustrou. Muita gente considera qualquer tristeza maior como depressão e muita gente considera depressão uma tristeza maior e passa anos deprimido sem receber tratamento porque está sem diagnóstico.

A depressão, como doença, compromete o comportamento, os sentimentos e pensamentos de uma pessoa, gerando uma reação desproporcional de sofrimento e dor a qualquer fato ou circunstância. Os sintomas mais comuns deste comprometimento são: alteração de humor, de apetite (ausência ou excesso de fome), de sono (ausência ou excesso de sono), de produtividade, cansaço extremo, fadiga, tristeza, angústia, irritabilidade e perda de tônus, dentre outros.

Esses sintomas aparecem juntos e persistem por semanas ou meses, levando o indivíduo a uma situação de incapacidade - fato que não pode ser confundido com preguiça ou tristeza e, muito menos, como uma “fraqueza” emocional que acomete os que não valorizam o que tem de bom na vida. É interessante como as pessoas reagem mal à depressão sentindo culpa por estarem deprimidas e os que convivem com elas, sentindo raiva, pena ou mesmo desprezo por causa dessa condição. Isso, sem dúvida, aumenta o tempo entre a doença e o diagnóstico, levando o indivíduo a um sofrimento sem limites até que sua existência se invalide por completo.

Numa sociedade como a nossa, que valoriza capacidades, competências, disposição e comprometimento, sofrer de depressão e não tratá-la adequadamente pode comprometer qualquer futuro, não somente pela doença em si, que na crise já é incapacitante, mas pelo estigma da fragilidade que a acompanha.

A depressão é uma doença importante e deve ser tratada corretamente por médicos e psicólogos para que não se torne crônica e limite por muito tempo a vida do indivíduo.


Veja aqui outros artigos publicados pela autora
no Jornal do Site Odonto


*Silvana Martani – Psicóloga e especialista em obesidade da Clínica de Endocrinologia da Beneficência Portuguesa.

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