artigos.gif (4386 bytes) logjornal.gif (4234 bytes)
Ano VI - Nº 88 - Julho de 2004
 

A lei do mais forte

Silvana Martani*

 

É o festival do TOMBO. Todo mundo dando tombo em todo mundo. Todo mundo passando a perna em todo mundo. É a festa dos espertos. Hoje em dia ser esperto é ser sacana, ser criativo é ser malandro e ser inteligente é ser vagabundo e safado.

A inversão de valores é tão grande que honestidade virou coisa do passado e quem é honesto é visto como bobo, conservador e pouco empreendedor. A coisa está tão feia que tráfico de informações virou negócio, vale dinheiro grosso. Até vadiagem virou coisa legal. Na novela, irmã trai a irmã, não trabalha, vive de graça e ganha apartamento.

No caso do surfista vagabundo, machista e com cara de anjo, aparece o pai sumido, rico e acaba financiando o moço. Tem  muito político com ficha de bandido que é chamado para trabalhar no governo e a maioria das pessoas desempregadas e com a ficha mais que limpa não consegue sequer emprego na feira livre!

Mas não tem gente séria que se dá bem?

Tem, mas não aparece. O honesto demora muitos anos para ser bem sucedido e quando chega lá não quer mais aparecer, fica com medo do esperto, do bandido, dos que adoram se encostar. Não fica aqui nenhum ressentimento daqueles que tiveram uma boa oportunidade honesta e foram bem sucedidos, mas as “oportunidades de ouro” não são tão comuns assim.

Sucesso envolve trabalho e dedicação, esforço suado e principalmente competência.O que mais preocupa é como as crianças e os jovens registram o que vem sendo mostrado nos meios de comunicação. Como é que essa bagunça toda fica representada na cabeça da moçada?

O trabalho dos pais hoje está duplicado. O tempo todo a gente precisa ficar traduzindo esse monte de comportamento inadequado, explicando que essas coisas não dão certo de fato. Educação faz parte do processo de formação dos jovens que é desenvolvido no dia-a-dia, mas educar não é somente orientar como os comportamentos devem acontecer e sim colaborar para a formação de conceitos, padrões e condutas. A sensação que dá é que estamos o tempo todo pregando conceitos antigos que quase não se usam mais, mas na hora em que o jovem está exposto fora de casa é a educação e os bons modos que são cobrados dele.

Então houve uma inversão de valores?

De fato, não. Mas as pessoas estão sendo expostas continuamente a fatos constrangedores e de tanto constrangimento quase não conseguem mais reagir. Não que esse tanto de bagunça moral não seja notada, mas nesse volume fica difícil. Basta assistir ao noticiário para ficar apavorado e se preocupar. Logo esta preocupação não pode ficar somente como um sentimento, ela tem que vir acompanhada de muita conversa e principalmente de muita orientação.

Os jovens precisam ouvir o tempo todo de seus pais o que é certo e errado, porque a juventude é uma fase de experimentação dos modos, das condutas e conceitos. As crianças e os adolescentes mudam muito de opinião, de gostos e de preferências, mas tem coisas que não mudam e vão ser certas sempre e isso ele precisa ter claro.

A “cultura do esperto”, do malandro, da safadeza tem que acabar. Esperto é o indivíduo culto, inteligente, educado, que respeita as pessoas e, principalmente, se respeita. A educação em casa e na escola deve priorizar estes conceitos para que  essa “cultura” não seja extinta, pois sempre  o mundo vai contar com este tipo de  desvio, mas despopulariza-o.

Os meios de comunicação têm muitos objetivos nobres, mas não podem esquecer da influência que exercem principalmente sobre as crianças e os adolescentes. Se queremos um futuro melhor para o nosso país, precisamos formar cidadãos melhores e isso só é possível quando pregamos em CORO que bons valores fazem a diferença de uma Nação.


*Silvana Martani – Psicóloga e especialista em obesidade da Clínica de Endocrinologia da Beneficência Portuguesa.

PRIMEIRA PÁGINA

EDIÇÕES ANTERIORES

ARQUIVO DE LEGISLAÇÃO

FALE CONOSCO