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Ano VI - Nº 90 - Setembro de 2004
 

O sofrimento de todos nós

Silvana Martani*

 

Todos nós já passamos por algumas situações difíceis, que nos causaram muito sofrimento e nos obrigaram a superar nossos limites. Perda de entes queridos, demissão no emprego, uma doença grave, amigos que nos decepcionaram, traições, roubos e outros desapontamentos, certamente, fazem parte do currículo de todos nós e da maior parte da população.

Essas situações fazem com que as pessoas conheçam seus recursos emocionais e mais que isso, se fortaleçam. Nesses momentos, experimentamos emoções e sensações que, normalmente, desconhecemos e que momentaneamente podem nos desestabilizar, nos enfraquecer física e emocionalmente, nos magoar, modificar nossa rotina e nos dar a impressão que o tapete embaixo dos nossos pés sumiu.

Ao ouvirmos as pessoas relatarem suas mazelas, temos, sempre, a sensação que naquele lugar saberíamos como agir e lidar com os fatos, mas ouvir não é um ato que nos prepara para muita coisa, nos previne, nos ensina, mas, achar por antecipação que estamos preparados para sofrer, é pura fantasia.

A sensação assustadora de que o nosso “tapete sumiu”, na verdade, é apenas uma fantasia, pois o tapete é sempre maior do que imaginamos e esse é o nosso grande diferencial. Ninguém sabe do que é capaz até experimentar certas situações, onde é possível perceber e conhecer os sentimentos que nos acometem e os recursos de que dispomos. Em um assalto, por exemplo, as pessoas são orientadas como devem agir através de regras básicas e até relatos, mas as reações frente à experiência real podem surpreender, e muito.

A educação, somada à história de vida e aos nossos recursos emocionais, norteia reações e iluminam os parâmetros utilizados para tratar nossos desafetos.

As pessoas, de um modo geral, têm muito medo de viverem grandes sofrimentos e não serem capazes de suportá-los, tanto por subestimar seus recursos, como idealizar reações que seriam mais oportunas. Mas o fato é que todos nós, ao longo de nossas vidas, estamos sempre aprendendo e reaprendendo com o que ouvimos, vemos, lemos, vivemos e, com isso, acabamos nutrindo nossos recursos e competências que serão de grande valia quando precisarmos.

Além disso, o autoconhecimento, que tem como resultado um bom equilíbrio e coerência emocionais, subsidia qualquer pessoa para viver com uma certa tranqüilidade priorizando valores únicos e fundamentais como a saúde, o bem estar, a natureza e os afetos.

De uma maneira geral, é assim que as pessoas se “preparam” para os vários sofrimentos que são capazes de enfrentar. E se, temporariamente, isso não for possível, viver um dia de cada vez, tentar avaliar as situações com o máximo de calma possível, respeitar limites e pedir ajuda pode ser um grande alento quando os fatos se atropelam ou quando a vida fica muito difícil.    


*Silvana Martani – Psicóloga e especialista em obesidade da Clínica de Endocrinologia da Beneficência Portuguesa.

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