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Ano VI - Nº 91 - Outubro de 2004
 

A redescoberta do metrossexual

Silvana Martani*

 

Enfim podemos educar nossos filhos sossegados! Aquela formação tradicional - que priorizava educação, cultura e valores que estavam fora de moda até pouco tempo atrás - voltou com força total.

Renomeada e repaginada para dar ares contemporâneos, a educação "de berço" de um homem agora o transforma em METROSSEXUAL. O que o mundo não é capaz de criar para ver se a coisa melhora ou volta a ser boa!

Até meados dos anos 80, as pessoas tratavam com lisura seus relacionamentos fossem eles afetivos ou não, educação era um diferencial importante, transmitido e cultivado no dia-a-dia. Naquela época, a maioria das mães ainda podia se dar ao luxo de não precisar trabalhar fora de casa e o núcleo familiar tinha tempo para insistir na educação dos filhos.Os meios de comunicação tinham cuidado com as palavras e não se via tantos termos chulos na TV, pois a gíria sempre existiu, mas palavrão não é gíria. Os casais não se tratavam tão mal, não se xingavam tanto e não se desrespeitavam em público com tanta facilidade como se vê hoje em dia.

Com o fim da ditadura militar, atingimos vários níveis de libertação e a liberdade de expressão. Foi nosso maior ganho. Mas, como acontece em qualquer período repressivo, quando nos libertamos perdemos muito do critério, da educação e do respeito.Não vai aqui nenhum saudosismo, mas somente uma constatação.

Para definir este velho novo homem as regras são claras: muita educação, competência, dinamismo, boa auto-estima e muita classe.

É claro que os excessos publicados sobre este homem, não precisam ser regra, pois pintar as unhas, tirar os pelos loucos das sobrancelhas, freqüentar clínicas de estética e adorar spas é coisa de poucos. A vaidade sempre foi um tabu entre os homens, tratada como "coisa de homossexual". Era assunto de gozação ou de mulher, mas que há muito tempo deixou de fazer parte somente do universo feminino.

Mas o que chama atenção neste "metropolitano" é seu reconhecimento, pois já se falava dele há dez anos, quando era um sujeito jovem, que morava sozinho, gostava da casa bonita, arrumada, limpa; era muito educado e se cuidava como gente.

O termo, nos idos de 1994, era o "homem do espelho". Ele definia esse ser que assumia sua vaidade não como defeito, mas como característica. História à parte, não só de aparência vive este homem que prioriza a intelectualidade sem ser chato, que é romântico sem ser piegas e que não se "acha" o tempo todo, porque um tanto de autocritica não faz mal a ninguém.

Este homem é fruto de um esforço da humanidade para chegar até aqui. Que já entendeu que todo o desenvolvimento envolve desvios e desavenças e percebeu que se queremos diminuir os problemas deste mundo, temos que começar por nós.

O homem contemporâneo agregou conceitos e novos padrões para dar conta desta nova sociedade e, principalmente, para conquistar a mulher que mudou nas ultimas décadas.

Mais exigentes e ativas não se contentam em apenas exibir o macho ao seu lado e serem sustentadas, precisam de um relacionamento onde os universos feminino e masculino troquem vivências, conceitos, experiências e somem o que cada um tem de bom.

Viva a reedição das qualidades, do caráter, do romantismo e da educação.As mulheres, enfim, agradecem!

 


Veja aqui outros artigos publicados pela autora
no Jornal do Site Odonto


*Silvana Martani – Psicóloga e especialista em obesidade da Clínica de Endocrinologia da Beneficência Portuguesa.

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