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Ano VI - Nº 92 - Novembro de 2004
M U R A L

Artigos de Silvana Martani

O ritmo de cada um

Silvana Martani*

Acabo de ler os artigos da Dra. Silvana Martani no Jornal do Site Odonto e quero parabenizá-los pela elogiável iniciativa. São temas apresentados em textos bem feitos, bem redigidos, de ampla abrangência para todos os tipos de leitores em seus variados níveis. Os fatos informativos, abordados de forma edificante, nos permitem boa reflexão sobre eles. Dessa maneira, podemos viver melhor.

Se possível, apenas mais uma observação deste leitor deslumbrando com as colocações da Dra. Silvana: o artigo intitulado "A lei do mais forte" está simplesmente precioso, uma maravilha. Parabéns à autora; e que ela continue com seus artigos no site, cuja utilidade pública fica claramente estampada na qualidade de textos como esses.

Armando Stelluto Jr.
PUBLICATA Comunicação.

Prezado leitor,

sua mensagem foi enviada diretamente à dra. Silvana. Agradecemos em nome dela e do Jornal do Site Odonto por seu interesse.

A Redação

Você sabia que quanto menos você faz, menos quer fazer?

Nossas mães já se indignavam com o nosso ritmo adolescente e nossa interminável preguiça e preconizavam várias frases iguais a esta pela casa para ver se alguma coisa melhorava. É fato que na puberdade começa um processo muito interessante hormonal, que implica em sucessivas mudanças físicas que irão transformar o corpo da criança e, conseqüentemente, influenciar os rumos de sua personalidade.

Tanta mudança sempre faz uma bagunça e, por isso, dizemos que os adolescentes são meio desatentos, têm sono demais, alteram muito o seu humor, nunca estão satisfeitos e assim por diante...

Hoje em dia temos observado um fenômeno importante que volta e meia nos confunde: A APOLOGIA DO RITMO PESSOAL. Nos últimos anos, a idéia de se respeitar o próprio ritmo virou uma febre tanto entre os educadores que passaram a entender porque uma criança aprendia primeiro que a outra da mesma idade, por exemplo, e as pessoas de uma maneira geral. Todo mundo se achou nessa idéia e houve um levante mundial pelo respeito ao desenvolvimento humano e suas limitações.

A partir de então, ficou mal vista toda e qualquer forçada de barra, toda e qualquer imposição pré-estabelecida, tanto em algumas instituições de ensino como nas cabeças mais arrojadas. Claro que no mundo adolescente essa realidade se aplica muito bem, mas o adulto acabou fazendo um uso marginal do conceito,  deturpando-o.

Por conta do tal “ritmo” muita incompetência não é levada a sério, muita falta de responsabilidade é perdoada e muita má vontade relevada. Sabe aquela história de faz devagar, mas faz bem feito?

Isso é ritmo pessoal. Não fazer a tarefa solicitada, enrolar para resolver os problemas e realizar tarefas, se dar de esquecido como um adolescente  e atribuir isso ao ritmo pessoal é absolutamente incorreto. Quando analisamos equipes de trabalho no exercício de suas funções, percebemos que qualquer ritmo se adapta a uma exigência bem elaborada e adequada.

Cada pessoa tem seu ritmo produtivo satisfatório que deve, na maior parte do tempo, ser respeitado e considerado. Sabemos que cada empresa, cada casa, cada grupo de amigos e até cada cidade tem suas particularidades, mas todo ser humano pode se adaptar a qualquer coisa desde que isso coincida com suas possibilidades ou que ele queira aprimorá-las.

Sim, cada pessoa tem seu ritmo e isso deve ser respeitado e não utilizado para justificar a falta de comprometimento ou o descaso com o qual as pessoas são capazes de tratar seus empregos, suas casas, a educação dos filhos ou os relacionamentos.

Além do mais, ritmo pessoal nunca deixará de andar junto com o interesse e este, com certeza, é capaz de mobilizar e “acelerar” qualquer um.

 


Veja aqui outros artigos publicados pela autora
no Jornal do Site Odonto


*Silvana Martani – Psicóloga e especialista em obesidade da Clínica de Endocrinologia da Beneficência Portuguesa.

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