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Ano VI - Nº 93 - Dezembro de 2004
 

Mulheres e o casamento

Silvana Martani*

 

As reclamações são sempre as mesmas: as mulheres reclamam que não têm homens dispostos a namorar e os homens que as mulheres não estão nem aí. Há 20 anos a situação era a mesma, o que dá um certo conforto para as mulheres, mas para os homens a situação melhorou e muito. Como diz a confraria masculina que eu convivo, as mulheres estão muito mais liberadas e mais desencanadas que antigamente e pensam também em curtir e não só em namorar e casar.

Realmente as coisas mudaram um pouco nestes últimos 20 anos. Sexualmente as mulheres se libertaram do tabu da virgindade e aprenderam que prazer é um direito a ser usufruído, mas a expectativa de namorar e também de casar continua a mesma, firme e forte.

Em todos os sonhos femininos mora um príncipe encantado, que vai lhe arrancar da solidão, que vai lhe amar, cuidar e prover para que ela possa viver com ele para sempre, feliz e protegida. É verdade que este sonho feminino tomou ares de modernidade e passou a aceitar algumas variações, afinal os sonhos têm que ser adaptados às possibilidades reais, mas ele é acalentado até pela mais desencanada e xiita das mulheres.

Das variações de relacionamento, a mais arrojada é o relacionamento aberto, ou seja, o que cabe todo mundo, deu vontade “fica”, deu vontade sai com quem quiser e o “casamento” continua bem feliz.

Fora esse tipo de esquisitice que só funciona para quem não está a fim de nada direito, as pessoas em todos os tempos continuam com o objetivo de encontrar alguém especial e isso inclui os homens. É importante lembrar que os homens também são criados adornando seus sonhos com a princesa, linda, meiga e pura que vai lhe fazer muito feliz para o resto da vida.

Como vemos, mulheres e homens têm a mesma expectativa, procuram as mesmas coisas, mas talvez hoje seja mais difícil de se encontrarem porque essas intenções que eram francas há uns anos, agora são camufladas, desdenhadas e inibidas pela idéia de que a juventude, cada vez mais tardia, deve ser aproveitada ao máximo e isso quer dizer muitas experiências em todos os sentidos.

As experiências emocionais e sexuais são muito importantes para que as pessoas saibam exatamente do que precisam, mas só experimentar e nunca se envolver pra valer denuncia uma grande dificuldade de conviver com o outro e se relacionar.

Mas como de experimentar todo mundo cansa, chega uma hora que até o mais convicto dos solteiros quer sombra e água fresca e o casamento faz esse papel para aqueles que já entenderam que uma união estável pode representar um grande ganho de crescimento emocional.

É claro que alguns não entendem o casamento como um porto seguro, mas como uma prisão domiciliar, com leis tão rígidas que o tornam insuportável.

Essa idéia distorcida inviabiliza qualquer relacionamento e transforma o namoro, se existir, numa brincadeira com dia e hora para acabar.

Fora esse time, o casamento seja de que jeito for, é vivido como uma possibilidade por todas as pessoas e um dia ou outro todos acabam encontrando alguém que vem para destruir todas as teorias e mudar todas as antigas crenças. 


Veja aqui outros artigos publicados pela autora
no Jornal do Site Odonto


*Silvana Martani – Psicóloga e especialista em obesidade da Clínica de Endocrinologia da Beneficência Portuguesa.

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