Ano XVIII nº 216 -
 
 


Braz Antunes Mattos Neto 

Cirurgião-dentista, mestre em Ortodontia, diretor Administrativo do Conselho Regional de Odontologia de São Paulo (CROSP) para as Regiões de Santos e Registro e conselheiro da ABCD, APCD e ACDbs.

Artigo - Braz Antunes Mattos Neto

Edição 216 - 28/10/2015

 

  

Ciclo virtuoso da Odontologia
e o Dia do Dentista

 

No último domingo de outubro (25), o Brasil comemorou o Dia do Cirurgião-Dentista, profissional essencial para uma sociedade mais saudável. O Conselho Federal de Odontologia (CFO) informa que somos 20% dos dentistas do planeta. Existem 264,5 mil profissionais espalhados do Oiapoque ao Chuí. Isso dá aproximadamente um dentista para cada 737,2 habitantes, quando o ideal é um para cada 1.500 habitantes. É fácil concluir que temos condições de atender todos os brasileiros. Mas, isso está longe de ser verdade.

De acordo com o IBGE, mais de 22 milhões, quase 12% da população, nunca foi ao dentista. O Instituto também aponta que 2,5 milhões de adolescentes jamais frequentaram um consultório, 8 milhões de brasileiros com mais de 30 anos usam próteses e apenas 3,8% das crianças até 5 anos estão livres de cáries. São números alarmantes que mostram que a falta de cuidado com os dentes não tem idade. Outro dado é a má distribuição de profissionais em nossa extensão territorial. Em sete Estados do Norte e Nordeste há um dentista para cada 1,8 mil habitantes. Já nas regiões Sul e Sudeste temos quase 200 mil, ou seja, mais de 70% dos dentistas do país estão nessas regiões.

Com o pouco cuidado com a Saúde Bucal, aumentam as emergências odontológicas no SUS e o governo acaba sofrendo com uma demanda reprimida no atendimento. Temos que buscar concursos públicos criando postos de trabalho, qualificando o serviço odontológico oferecido à população, e fazendo principalmente o trabalho preventivo, que é menos oneroso. O cirurgião-dentista egresso da faculdade tem dificuldades em começar na profissão, cujas taxas de empregabilidade são as menores entre as atividades liberais. Afinal, é complicado começar um consultório do zero, e o número de postos de trabalho diminui a cada ano.

É evidente que temos um problema que deve ser combatido pelo Poder Público. Precisamos criar um modelo de migração dos profissionais de Odontologia, promovendo benefícios aos que optarem por fixar residência em comunidades onde o número de atendimentos é deficitário. Uma medida simples que geraria emprego, distribuiria ciência e conhecimento pelo país e geraria um serviço de melhor qualidade ao cidadão.

Outra medida urgente é um programa de desoneração de impostos sobre os equipamentos e materiais odontológicos, pois a excessiva tributação reflete no consumidor e encarece o tratamento.

Deveríamos ser reconhecidos com o pagamento de honorários justos nos postos de trabalho, compatíveis com a responsabilidade que temos, já que um erro pode causar prejuízos irreparáveis à vida. Vale ressaltar que entidades como o CFO, a Associação Brasileira de Cirurgiões-dentistas (ABCD), o Conselho Regional de Odontologia de São Paulo (CRO-SP), a Associação Paulista de Cirurgiões-Dentistas (APCD), a Associação dos Cirurgiões-Dentistas da Baixada Santista (ACDbs) e o Sindicato dos Odontologistas de Santos e Região (Sindiodon) sempre lutam pela valorização da profissão.

Quem faz a Odontologia do Brasil sabe bem onde “aperta o calo” e conhece na prática os males que a população sofre com a falta de acesso ao tratamento adequado. É preciso vontade política dos governantes para transformar esse quadro em um círculo virtuoso para a Saúde Bucal do Brasil. Como dirigente de classe, vou sempre lutar para que estas e outras sugestões virem realidade, pois atendem a categoria e principalmente a população que precisa cada vez mais da assistência odontológica. Lutar pela Odontologia está em meu próprio DNA.

 

 

 

 

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