Ano X nº 146 -

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A fé e o amor de Maria Bethânia

Nos últimos anos, Maria Bethânia tem se debruçado em projetos que, em comum, falam muito sobre o Brasil. Segundo o poeta Ferreira Gullar, “uma cantora com profunda identificação com seu povo, sua cultura, suas raízes brasileiras”. Essa maneira muito própria de cantar a alma do brasileiro ganha mais um capítulo com Encanteria, que traz 11 canções inéditas e se lança sobre um dos elementos cruciais de nossa construção social, a fé.  Ao passo que Bethânia se aprofunda neste tema, que aparece fragmentado em discos como Brasileirinho e Mar de Sophia, o foco agora é completamente outro: a fé assume a dianteira, ela é a condutora dessa viagem pelos recônditos da geografia afetiva do Brasil.

Simultaneamente, Bethânia lança outro álbum em que retoma um dos assuntos mais recorrentes em sua discografia, o amor. Embora sempre tenha cantado o amor dual, romântico, é a primeira vez que a cantora faz um disco apenas sobre ele. Tua, título extraído da canção homônima de Adriana Calcanhotto, traz um amor sereno, resolvido, que dá certo mesmo quando não se cumpre. Bethânia canta o amor como ela o sente hoje, no auge de sua maturidade, propondo uma leitura completamente outra em sua carreira, ao longo de 11 novas canções.

Encanteria apresenta algo mais abrangente ao expandir o conceito central em diversos subtextos. O que Bethânia propõe aqui são os diversos aspectos da fé: como agente crucial para as ações e transformações do ser humano, independente, ou não, da religiosidade. Com isso, o que move o indivíduo, seja o afeto, a saudade, o amor, a vocação, a celebração, tudo, se torna desdobramento da fé. Para ilustrar isso, a intérprete lança mão de uma vasta teia simbólica proveniente do interior do Brasil e do sincretismo religioso, elementos muitas vezes desconhecidos do brasileiro urbano, e que vem à tona através de sua voz. Autoral como todos os discos da cantora, Encanteria parte da fé da própria Bethânia, que constrói um roteiro que parte do plano pessoal para comunicar com o coletivo.

O uso da metalinguagem marca presença em diversas passagens de Tua. Em canções como É o Amor Outra Vez, Fonte e Até o Fim, o “personagem” amor é o mote, o fio condutor. O sentimento em si, o substantivo, neste caso, é tão discutido quanto as situações amorosas em específico.  Do mesmo modo, e num extremo aposto ao otimismo que permeia o CD, a saudade se mostra como o único agente capaz de quebrar esta serenidade, mas de uma forma equilibrada. Canções como Guriatã, O Nunca Mais e Saudade, esta com participação de Lenine, atestam o teor confessionalmente maduro do trabalho.

Lançados juntos, mas aparentemente díspares, Tua e Encanteria na verdade são essencialmente complementares. Ao mesmo tempo em que a fé motiva todo o amor decidido e libertário do primeiro, o amor está presente em todas as formas de fé do segundo. Ambos os trabalhos também sintetizam as forças que movem a fonte criadora de Maria Bethânia, e também os dois elementos que mais abastecem seu discurso como artista brasileira contemporânea. Tua e Encanteria são partes de um mesmo todo, que se fundem na alma e na expressão da intérprete.

Fonte: Biscoito Fino

 

Edição 146 - 16/10/2009

 

 

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