Ano X nº 146 -

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Herta Müller: a voz da minoria

A escritora Herta Müller, ganhadora do Prêmio Nobel de Literatura de 2009, assegurou que tudo o que escreveu surgiu dos 30 anos que viveu sob a ditadura comunista de Nicolae Ceausescu, na Romênia. “Não sei se o prêmio tem a ver com os 20 anos do fim do regime comunista. Mas tudo o que escrevi tem a ver com o que tive que viver durante 30 anos sob uma ditadura", disse Herta, em entrevista coletiva, ao ser perguntada sobre o possível caráter político da concessão do Nobel. "Para as pessoas que viveram nas ditaduras as coisas não terminam quando mudam os tempos", explicou Herta. "Há gente que morreu como vítima da ditadura. Tive amigos que morreram e a queda da ditadura não os reviveu", disse a escritora. Segundo ela, esse é o tema de todos os seus livros, e a escritora acredita que "toda a literatura tem a ver com as coisas que fizeram dano às pessoas".

Respirar – Herta afirmou que em 1987, quando chegou à Alemanha, pela primeira vez em muito tempo teve a sensação de que podia respirar. Mas teve que esperar até 1989, com a queda do regime romeno, para deixar de sentir-se ameaçada. "Acho que este país (Alemanha) me salvou", disse. Herta não acredita que o Nobel a impedirá de continuar escrevendo, nem que influenciará sobre o que escreve, porque não vai "escrever um livro sobre o Prêmio Nobel". A escritora prefere falar pouco sobre o prêmio recebido, já que, segundo ela, não acredita ainda que ganhou e "precisa de tempo para entender seu significado". "Em todo caso, o prêmio é algo exterior e o que importa de verdade é escrever. O resto é acrescentado", afirmou. Müller é autora de "O compromisso", lançado no Brasil em 2004 pela editora Globo.

O resultado foi anunciado pelo secretário permanente da Academia Sueca, Peter Enlgund, em Estocolmo, na Suécia. O prêmio é de US$ 1,4 milhão. A escolha foi justificada pela forma como Müller, "com a concentração de sua poesia e a franqueza de sua prosa, retrata a paisagem dos despossuídos".

 

Voz da minoria – A obra da autora reflete em grande parte o destino das minorias na Alemanha e nos países da Europa Central que, após a Segunda Guerra Mundial, em muitas ocasiões tiveram que pagar duplamente pelas culpas do nacional socialismo em seus países.

Müller, que vive em Berlim desde 1987, nasceu em Nytzkydorf, na Romênia, em 1953, em uma família de minoria alemã - da qual faziam parte outros escritores, como Oskar Pastior - e desde muito cedo tentou fazer a ponte entre as duas culturas a que pertencia. Ela estudou filologia germânica e romena para se aprofundar no conhecimento das duas literaturas das quais se sentia parte.

"Niederungen", seu primeiro livro de contos, foi publicado em 1982, depois de ficar quatro anos na editora e de sofrer cortes impostos pela censura na Romênia do ditador Nicolae Ceaucescu. Antes de se lançar escritora, Müller chegou a ser demitida de seu cargo de tradutora em uma fábrica por negar-se a colaborar com o serviço secreto comunista.

"[A obra de Müller] É uma combinação de uma linguagem especial, por um lado, e o fato de que ela tem uma história para contar sobre como é crescer em uma ditadura, em uma minoria, em outro país. E de como crescer como estrangeira em sua própria família", declarou o secretário da Academia Sueca após o anúncio do Nobel. "É uma escritora fenomenal", concluiu.

Fonte: G1





Edição 146 - 16/10/2009

 

 

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