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Edição 148 - 18/12/2009

 

Vinhos

Por Armando Stelluto Jr.

 
Vinho – Saúde!

 

Sabor do vinho começa a mudar.
Culpa do aquecimento global

 

O sabor dos vinhos está mudando para pior, em função da alteração climática do aquecimento global produzida negativamente no planeta. O aumento da temperatura geral, com o conseqüente derretimento de regiões polares inteiras e a elevação exagerada dos níveis dos mares, tem reflexos devastadores sobre a vida terrestre. Fauna e flora já começam a dar sinais de que não vem coisa boa por aí. Tsunamis, chuvas e secas atípicas atestam o perigo.

Para o mundo dos vinhos, o fenômeno provocado pelo próprio homem promete alterar muita coisa. Como o clima é fator determinante para a qualidade dos vinhos em qualquer parte do mundo, sua alteração bate direto na vinicultura e seus produtos. As maiores regiões vinícolas do mundo, principalmente na Europa, devem ser afetadas diretamente, segundo pesquisadores. Produzindo bons vinhos há séculos, França e Alemanha figuram no listão dos prováveis prejudicados, porque o sabor de seus vinhos deve cair muito devido à mudança do clima. Com muito frio, as uvas perdem o gosto frutado, além de açúcar, e deixam o vinho ácido. Com muito calor, a uva fica com excesso de açúcar, e o vinho encorpado demais.

Essas mudanças climáticas devem mudar também o cenário produtivo de vinhos no mundo. Especialistas consultados pela Reuters garantem que o efeito estufa sobre a Terra move-se na direção Norte do planeta, afetando diretamente os franceses e os alemães. Mas como nem tudo são pedras, o pessoal do Sul da Europa pode se dar bem. Os britânicos são alguns deles, que poderão ressuscitar sua produção de vinhos tintos depois de 600 anos no limbo. Por outro lado, não se sabe ainda se isso poderá ou não beneficiar os países produtores da América do Sul, como Brasil, Argentina, Chile e Uruguai, além da África do Sul, do outro lado do oceano.

O Greenpeace, movimento ecologista internacional, ampara-se num estudo feito pela Universidade de Bolonha, na Itália, para afirmar com segurança que as melhores latitudes vinícolas poderão subir uns mil quilômetros ao Norte do planeta nos próximos 90 anos. Isso se o homem nada fizer para conter o aquecimento global.

Com Carla Pedro, de Portugal, e Reuters

 

A rolha tem séculos de história

   

A rolha feita de cortiça veda garrafas de vinho com qualidade há pelo menos 600 anos. Antes disso, a casca do sobreiro (uma árvore que só começa a produzir depois de 20 anos ou mais do plantio e com intervalos mínimos de 10 anos entre os descasques, tendo vida útil prevista de um século e meio), típica do Sul da Europa, mais em Portugal e Espanha, tinha um uso relativo, tipo tampão. Foi o monge francês Dom Pierre Perignon, descobridor do processo que nos brinda até hoje com o champanhe, quem de fato introduziu a rolha de cortiça nas garrafas de vinho – literalmente. A partir do século 17, então, a casca do sobreiro se popularizou dessa maneira. Naquela época, as rolhas eram feitas manualmente. Um trabalhador produzia 2 mil rolhas por dia, num trabalho artesanal que exigia facas de lâmina bem afiada.

A rolha de cortiça é considerada até hoje como a melhor saída depois da entrada do vinho na garrafa, salvo um ou outro respingo dessa tecnologia antiga. Com vedação quase perfeita , permite impermeabilidade, resistência, elasticidade, compressão e longa vida, além de ser ecológica. Uma rolha dura no mínimo dois e no máximo 50 anos, mas há casos em que ela precisa ser substituída de tempos em tempos, devido à possibilidade de oxidação, o que desanda o vinho por completo.

Atualmente, o mercado de vinho estuda alternativas à cortiça, que tem produção limitada frente à crescente indústria vinícola em todo o mundo. Ainda não se sabe qual seria a rolha ideal para substituí-la. Rolhas de plástico ou fibra já estão surgindo. Elas não teriam risco de odores ou sabores desagradáveis, além de impermeabilidade e resistência. No entanto, a esmagadora maioria dos apreciadores de vinho torce o nariz para essa possibilidade de mudança. Segundo eles, a rolha de cortiça é insubstituível como ferramenta de vedação e oxigenação, além de ser fundamental para a redução de taninos e o aroma do vinho. Existe, ainda, um novo recurso, o “screwcap”, que nada mais é do que uma tampa metálica de rosca, bem aceita entre os consumidores da Nova Zelândia e Austrália.

Dizem os especialistas que as alternativas propostas até agora são boas para vinhos jovens. No entanto, para os tipos mais longevos, não há nada que substitua a boa e velha rolha de cortiça.

Com Nosso vinho e Casa do Vinho

 

Aroma e sabor que vêm das barricas

Após a fermentação das uvas e antes de ser engarrafado, o vinho passa por um período de descanso em barris de madeira ou tanques de aço inoxidável, onde acontece o amadurecimento da bebida. Nas barricas, o vinho sofre fortes influências de aroma e sabor, que, de certa maneira, são determinados pelo tipo de madeira empregada na confecção dos tonéis. No aço não há interferência. Os mais conhecidos dos produtores vinícolas – e portanto mais utilizados – são os de carvalho francês ou americano. Durante a confecção dos barris, que é totalmente artesanal até hoje, mesmo nos Estados Unidos, cada unidade recebe uma queima interna, a qual é determinada para a finalidade de seu uso – ou seja, conforme o tipo de vinho que será amadurecido em seu interior. Essa torra pode oferecer tanto aromas lácteos e caramelados como sabores frutados.

Por que isso acontece nos barris? Porque ocorre uma oxidação benéfica, resultado também da entrada lenta de oxigênio pelos poros da madeira. O vinho conquista nesse processo a estabilização de cor e de sabor, além de se defender do excesso da adstringência. O carvalho francês transfere ao vinho aromas de especiarias; o americano conduz mais aos sabores de coco e baunilha.

Nas cubas de aço, muitos produtores adicionam junto ao vinho lascas de carvalho para “amadeirar” a bebida, ténica que nem sempre é bem recebida por alguns degustadores mais exigentes ou tradicionais.

Com Mundovinho

 

Chateau Lafite, o vinho do rei Luís XV

No século 17, a França já conhecia grandes vinhos, como os tintos de Bordeaux, na região sudoeste do país. A fama do Chateau Lafite vem dessa época, mas seu nome só pegou mesmo foi graças ao rei Luís XV (1715/1774), o “bem amado”, graças a uma terrível coincidência e a uma amante boa de copo.

Quem deu a dica à sua excelência foi o então Marechal de Richelieu, de quem há muito se mantivera distante por razões que só a corte conhecia. Observado pelo rei, que elogiou sua aparência “muito mais jovem”, Richelieu teria saído com esta: “Oh, majestade, é o vinho. Foi um médico de Bordeaux que me indicou o consumo do vinho chamado Chateau Lafite”. Em seguida, presenteou Luís XV com uma caixa do “elixir”, que caiu no gosto do rei e virou o vinho da corte. A amante Madame Pompadour fez o resto...

Em 1855, Napoleão III classificou o Chateau Lafite como Premier Cru de Bordeaux. Depois desse, vieram seus primos de adega e não menos famosos Chateau Latour, Mouton-Rothschild, Margaux e Haut Brion.

O Chateau Lafite nasceu numa vinha que existe há quase mil anos. Em 1234, pertencia à família de Gombaut de Lafitte. Por volta de 1600, a propriedade trocou de mãos, passando ao controle do Marquês de Ségur. Em 1755, o novo dono M.Pichard, que não produzia nada, perdeu a cabeça literalmente, tendo sido guilhotinado pela Revolução Francesa. Em 1868, a vinha voltou a produzir sob o comando do Barão James Rothschild, que acrescentou seu nome ao rótulo do vinho. Consta que Rothschild mandou bem na propriedade, hoje com quase um milhão de videiras e produção bastante controlada e limitada.

O atual grande Chateau Lafite Rothschild tem um assemblage com a seguinte composição: 30% de uvas Cabernet Sauvignon, 15% de Merlot e 15% de Cabernet Franc. Todas são colhidas manualmente, sob verificação isolada. Após o descanso inicial, o vinho do rei pode ser consumido entre cinco e seis anos, mas sua melhor condição é alcançada entre 20 e 30 anos. Sua cor no começo chega a um rubi brilhante, mas muda com o tempo. Portanto, fique de olho no rótulo. Atualmente, o ideal é adquiri-lo de uma safra de 1989 para trás. Uma garrafa da safra de 1990, considerada ótima, custa no Brasil cerca de US$ 800,00.

Com Style for all kind e Beníssimo

 

Das jóias ao espumante Moscato Asti

Quando Pedro Álvares Cabral desembarcou no Brasil, em 1500, um joalheiro italiano fez outra descoberta, mas do outro lado do Atlântico. Giovan Batista Croce trabalhava como joalheiro para o Duque de Savoia, Emanuele I, quando passou a se dedicar ao cultivo de uvas moscatel e à produção de vinho branco doce. Em suas experiências apaixonadas, Giovan acabou descobrindo o que conhecemos até hoje por Moscato Asti, um vinho branco, doce, bastante aromático e pouco álcool.

Para chegar à técnica ideal, Giovan Batista deixava de lado seus ouros e pedras preciosas para tratar de outras jóias: a uva e seu trato no processo de produção vinícola. Durante anos, ele estudou e inventou ferramentas com o único objetivo de fazer o seu moscato. Além de prensagem especial, criou processos de fermentação meio a olho, mas com muita dedicação e persistência. Quando finalmente dominou todas as etapas de produção, partiu para técnicas mais ligadas ao frio intenso da região piemontesa, o que deu certo. Quase 400 anos depois, outro italiano, Carlo Gancia, “emprestou” dos franceses as técnicas de espumantização, ou popularmente “champanhização”, e criou o Moscato Spumante doce e perfumado. Um dos segredos de Gancia foi a inoculação de leveduras num grau que só ele conhecia.

Os vinhos Asti vêm de lugares com denominação de origem controlada por lei na Itália. São espumantes do tipo champanhe, na França, ou cava, na Espanha. São também conhecidos por Espumante Moscatel e têm cor semelhante ao amarelo-palha, meio esverdeado, borbulhas intensas e finas, aroma floral e toque acentuado de mel. Deve ser servido bem frio, entre 4 e 5 graus. Vai bem com doces, frutas frescas e sorvetes.

Com Dalpizzol e Mar de Vinho

 

La Tour d’Argent faz leilão de US$ 2,2 milhões

O restaurante La Tour d’Argent foi fundado em Paris no século 16 e por suas mesas já passaram de Napoleão Bonaparte a Frank Sinatra, de Bill Clinton a Berluscone. Todos folhearam carta de vinhos que pesa 8 quilos e tem 400 páginas. A adega é recheada por 420 mil garrafas de bebidas. Para “renovar” o estoque e fazer um certo caixa para obras de atualização de alguns salões, o proprietário André Terrail realizou um leilão que vendeu 18 mil garrafas de vinho e conhaque no último dia 8 de dezembro. As vendas renderam US$ 2,2 milhões, superando a previsão de US$ 1 milhão.

Para muitos franceses, no entanto, o leilão teve um sabor de revanche contra os alemães, que durante a Segunda Guerra Mundial tentaram pilhar todo o vinho da França, numa ação nazista em parte neutralizada com sucesso pelas missões de resistência nacionalista, que emparedavam ou escondiam sob a terra safras e mais safras de todo o tipo de vinho francês.

Com AFP

 

Boas Festas! Mas, que vinho vamos beber?

A pergunta é clássica. E toda festa exige bons vinhos. Para o Natal, virada e começo de ano, mais vinhos. Nesta época de comilança, alegria e fraternidade, a bebida de Baco é ótimo acompanhamento para as lautas refeições, de entradas e saídas. Sem abuso, com bastante moderação e combinação razoavelmente adequada, o vinho torna-se imperativo, mesmo na versão sem álcool. Sem pretensão nenhuma, aqui vão algumas dicas de como harmonizar a companhia na mesa, sem grandes riscos de indisposições posteriores aos prazeres gastronômicos.

Basicamente, não podem faltar vinho tinto ou branco durante as refeições, nem champanhe ou espumante na virada do ano.

  1. Para a recepção do pessoal, vai bem um prosecco durante os beberetes, a qualquer hora. Pode ser um branco comum também, um espumante ou uma cava, não importando muito o casamento deles com os petiscos. Melhor que seja sempre brut e não demi-sec nem amábile (adocicados).

  2. Na refeição principal ou ceia, dê preferência aos tintos leves para carnes assadas (peru, tender, chester, frango, leitão, pernil - suíno ou cordeiro - ou pratos com molhos, e brancos secos para saladas de folhas, frutos do mar e peixes. Cuidado com os tintos encorpados. Eles costumam desmerecer seus molhos vermelhos e assados. Com os brancos não tem erro (e para todos os pratos), desde que seja brut.

  3. Frutas secas, castanhas, nozes, panetone tradicional (frutas ou chocolate), bolos com frutas cristalizadas e sobremesas em geral se dão bem com vinhos delicados e levemente doces. Se for espumante, como asti, champanhe ou cava, melhor ainda. Esqueça vinho madeira, do porto e outros fortificados, que pegam pesado demais nessa hora.

Boas festas! Saúde!

 

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