Cadastre seu e-mail

 
Ano X nº 149 -

Agenda grátis

Clima/Tempo

Concursos

Cotações/Moedas

Horóscopo

Portal da Câmara

Portal do Consumidor

Viagens

LAZER&CIA

13/01/2010

 

Videoarte pioneira volta ao Rio com estilo

Na primeira metade dos anos 70, quando começou a trabalhar com vídeo, Anna Bella Geiger usava uma câmera emprestada, que pesava 40 quilos e só filmava em preto e branco. Quase 40 anos se passaram, a videoarte se difundiu e as novas tecnologias alcançaram níveis inimagináveis. Mas as questões que movem a artista, em plena produção aos 76 anos, não passam por aí.

"Para mim, nunca houve a busca pela tecnologia inovadora, quero é transmitir uma visão de mundo através da minha poética. Basicamente, na videoarte ou nas videoartes que privilegiam o conceito não teve muita mudança", disse Anna Bella ao Estadão, que revê sua trajetória - marcada pelo pioneirismo e ousadia, mistura de suportes e uso de linguagens diversas - no Oi Futuro, centro cultural carioca que prioriza a tecnologia.

Aberta inicialmente no fim de novembro, a retrospectiva Anna Bella Geiger: Vídeos 1974-2009 volta depois das festas de Natal e ano novo. Ela gosta de observar a reação do público a obras como os vídeos Paisagens I e II, Declaração em Retrato I e II, Centerminal (as três de 1974), Mapas Elementares I, II e III (1976), Local de Ação I (1978/80), permeadas de indagações acerca do significado da cultura e o papel do artista no mundo, e as videoinstalações Friso, Mesa e Vídeo macios (1981) e as novíssimas Circa III e Circa IV, criadas para a ocasião. Ela acompanhou a reportagem em visita à mostra, em dezembro.

É a primeira individual, no Brasil, da obra em vídeo de Anna Bella, que já participou de bienais em Veneza e São Paulo e está presente nos acervos do MoMA, em Nova York, do Pompidou, em Paris, Victoria & Albert Museum, em Londres, Reina Sofia, em Madri, Museu de Arte Moderna do Rio e no Masp, em São Paulo.

"A mostra tem quase a totalidade dos meus vídeos, tanto os de monitores quanto de videoinstalações. Foi interessante criar para a exposição porque o espaço encaminha o trabalho", contou Anna Bella, que, nas duas instalações mais recentes, misturou vídeo, desenho, areia, tijolos, pedras, miniaturas e folhas de jornal para poder criar ambientes alusivos ao Oriente Médio e que envolvem a arqueologia da memória.

Sua arte usa elementos de cartografia, som, luz. Hoje não provocam tanto estranhamento, ao menos no público iniciado, mas, há 30 ou 40 anos, não eram bem compreendidos. Anna Bella lembra da importância que teve no desenvolvimento de seu trabalho a participação na mostra de 1975 no Institute of Contemporary Art, da Filadélfia, da qual integrou a vanguarda da videoarte (Bill Viola, Gary Hill, Dennis Oppenheim) - foi a primeira grande reunião, no mundo, de obras do gênero, surgido na década de 60. E também na bienal de Veneza realizada em 1980.

"Quando comecei a usar vídeo, eu já vinha de um trabalho com gravuras e desenhos. Alguns críticos criticaram, enfatizaram que era apenas uma novidade tecnológica, algo "importado". Se fosse pensar assim... E o pincel, e a máquina fotográfica?", provoca. "Quando meu trabalho foi para Veneza, aquilo me reassegurou, me mostrou que havia uma conversa ampla com outros artistas."

A curadoria é do artista plástico e crítico de arte Fernando Cocchiarale, aluno de Anna Bella num curso experimental nos anos 70 e que acompanha e colabora com seu trabalho desde então. Em seu texto de apresentação, ele aponta que Anna Bella é "um dos poucos artistas brasileiros que experimentaram no próprio trabalho a passagem do moderno para o contemporâneo". No dia 14, às 19h30, Barbara London, curadora do Departamento de Videoarte do MoMA, fará uma palestra no Oi Futuro.

Fonte: O Estado de S. Paulo

 


 

 

 

VEJA MAIS EM LAZER&CIA

 

3º Setor | Anuncie | Arquivo JSO | Bastidores | Estatística | Expediente | Legislação | Fale com o JSO | Mural/Cartas | Utilidade Pública

Copyright @ 1999 Edita Comunicação Integrada. Todos os direitos reservados.
Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização por escrito.
Melhor visualização 1024x768pixels