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01/03/2010

 

 

Edu Lobo lança o novo trabalho Tantas Marés

Um novo disco de Edu Lobo deve ser saudado como uma maré de sorte. Sobretudo se na corrente destas águas emergem seis composições inéditas com Paulo César Pinheiro, quatro recriações de parcerias com Chico Buarque e uma jóia com Cacaso quase esquecida no vasto e irretocável oceano de suas obras. Gravado no estúdio da Biscoito Fino, o álbum “Tantas Marés” tem produção e arranjos de Cristóvão Bastos com a participação da cantora Monica Salmaso.

Em ritmo de baião, “A dança do Corrupião” abre os trabalhos, plena de síncopes, contratempos e versos acrescentados por Paulo César Pinheiro à melodia original lançada por Edu no disco “Corrupião”, de 1994. “Levanta o pé, vem / pula do chão / até pegar a divisão / cumé, hein? / é a pisada do baião”, ensina a letra que metaboliza tema em canção, com arranjo de Cristóvão Bastos livremente inspirado no original, de Gilson Peranzzetta.

Outra composição instrumental a ganhar versos de Pinheiro é “Perambulando”, lançada no disco “Meia Noite”, de 1995. Edu e Paulo escreveram quatro canções especialmente para este novo álbum. Três delas contemplam a grandiosidade das cordas e se valem de violinos, violas e violoncelos, sob os arcos de Bernardo Bessler, Daniel Guedes, Jesuína Passaroto e Marcio Mallard, entre outros, arregimentados pelo violinista José Alves.

A passagem do tempo, com suas tristezas e seus auspícios, é abordada em “Vestígios”, onde imprimem-se “retratos de fatos e histórias talvez banais / vestígios de tempo / que mesmo embaçados não passam jamais”. Ondas de lirismo e sabedoria diante das ressacas do destino: “tantas marés / eu já vi passar / carregando meus pés por todo o mar / que a vida é pra se navegar”.

Aliada ao oboé de Carlos Prazeres, “Qualquer caminho” funciona como uma bússola interior para as correntes incertas da existência: “já peguei tanto desvio pra chegar até aqui / só que de mim mesmo nunca me perdi”, enquanto “Coração cigano” garante o sabor dos movimentos (“Coração roda-de-engenho / feito o meu movido a mágoa / Quanto mais mágoas eu tenho / Gira mais a roda d´água”).

Edu e Monica Salmaso dividem os vocais no acalanto sinuoso e místico de “Primeira Cantiga”: “Dorme que vou te embalar / no meu colo quente / como a lua embala o mar e a maré embala a gente”. São duas vozes e apenas dois instrumentos. Se bem que o piano de Cristóvão Bastos e o baixo acústico de Alberto Continentino impõem uma moldura sonora de corar qualquer pretensão minimalista.

Edu sacou “Angu de Caroço”, parceria com Cacaso, do disco “Tempo Presente”, de 1980. Assim como “A dança do Corrupião”, a canção exalta os efeitos irresistíveis de determinadas vertentes da música brasileira. Neste caso, o frevo, uma de suas influências primeiras, a partir da convivência com seu próprio pai – o compositor e jornalista Fernando Lobo – que o apresentou ao gênero imortalizado por Capiba e Nelson Ferreira: “E cada passo que eu dei / cada fogueira pulei / E nunca mais que larguei aquele angu de caroço”. Para reforçar o angu, o arranjo é temperado pelos metais em brasa de Mauro Senise (sax alto e piccollo), José Canuto (sax alto), Henrique Band (sax tenor e flauta) e Jessé Sadoc (trompete).

Quatro parcerias com Chico Buarque, egressas de musicais compostos pela dupla. Do Grande Circo Místico (1982), “Ciranda da Bailarina”, “A Bela e a fera” e “A História de Lily Braun”, diretamente da boca do Lobo, dispensam maiores considerações. São expoentes incontestáveis do repertório moderno brasileiro e deveriam ser utilizadas como referências obrigatórias em salas de aula, assim como Machado de Assis, Getúlio Vargas ou o triângulo da hipotenusa.

E já que vislumbramos o tal do Brasil melhor, a “Ode aos ratos” – de Cambaio (2000) – empurra goela abaixo dos corruptíveis de fuça gelada a metáfora fétida e devastadora do “saqueador da metrópole / tenaz roedor de toda esperança / estuporador de ilusão”. Para a barra pesar de vez, só que no melhor e mais musical dos sentidos, a guitarra de Lula Galvão, a flauta de Carlos Malta e a bateria de Jurim Moreira oferecem suas virtuosas contribuições.

Com letra de autor desconhecido em domínio público, “Senhora do Rio” foi lançada ao vivo no DVD “Vento Bravo”, via Biscoito Fino, em 2008. Aqui, a torrente de piano e cordas arranjadas por Cristóvão Bastos desemboca certeira nos ouvidos dos bentos filhos do Brasil de Edu Lobo, independente do curso incerto das marés do mercado. Muito além da superfície, sua música flui feito correnteza impulsionada por ventos bravos. Ou como faca que dá talhos sem dor.

Fonte: Biscoito Fino

 

 

 

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