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Edição 152 - 14/04/2010

 

Vinhos

Por Armando Stelluto Jr.

 
Vinho – Saúde!

10 milhões de litros de vinho sob suspeita na Itália

Escândalo de arrepiar põe vinícolas importantes na mira da polícia

Há uma tremedeira geral no mundo vinho. Num dos berços da bebida de Bacco, a Itália, maior produtora da bebida junto com a França, está em curso uma investigação nacional sobre a mistura ilegal de uvas não autorizadas em vinhos de regiões nobres. As autoridades italianas estão desconfiadas de que a falcatrua envolve nada menos do que 10 milhões de litros. Pior: estariam no esquema criminoso vinhos poderosos, como Chianti, Toscana IGT, Brunello di Montalcino e Rosso di Montalcino.

A Wine News noticiou em seu site que há até o momento 42 empresas e 17 pessoas sob suspeita dos organismos policiais, cujas operações se concentram em Abruzzo, Trentino, Piemonte, Lombardia e Emília-Romagna. Nicolas Belfrage, escritor e crítico da área, desconfia de que nunca um escândalo desses aconteceu na Itália, onde as leis controladoras da qualidade e origem de seus vinhos têm tradição de obediência pelos vinhateiros. Jeremy Parzen, editor de Do Bianchi, também entende que a barrica dos italianos entornou pra valer. A enologia mundial está, agora, de olho no que resultará a apuração, quem vai responder pela farsa quase certa e como ficarão daqui pra frente os então respeitados vinhos locais.

Na Itália, como na França, Espanha, Portugal, Estados Unidos, Grécia e até na novata Austrália, existe legislação específica para a produção de vinhos de qualidade. São muitos os requisitos exigidos, desde a divisão de áreas em DOCs (Denominação de Origem Controlada), DOCG (Denominação de Origem Controlada e Garantida), além do IGT (Indicação Geográfica Típica). Fora dessas regiões, é tudo vinho de mesa. Marcos regulatórios e agências do governo controlam o cumprimento da lei, garantindo, de certa forma, o que vem dentro da garrafa. Fora disso, é lambança criminosa, que pode levar o consumidor a comprar gato por lebre.

Para defender seu mercado, construído a duras penas ao longo de séculos, a Itália está agora mergulhada num mar de desconfiança que pode avinagrar seus vinhos de grande reputação. Além disso, precisa se mexer rapidamente para manter a credibilidade e dar segurança aos consumidores. É aguardar pra ver.

Com Terra

 

Na Europa, vinhos argentinos estão na lista negra

Cartão vermelho para os argentinos na Alemanha, onde uma investigação descobriu a presença de fungicida natamicina em garrafas de dez marcas de vinhos procedentes da Argentina. Cerca de 120 mil garrafas foram interditadas. Consta que a contaminação ocorreu durante a limpeza de algumas vinícolas, no ano passado. Até os orgânicos foram atingidos. A Comunidade Econômica Européia (CEE) fechou as portas para todos os vinhos argentinos, que estariam bloqueados nas alfândegas.

A Wines From Brazil anunciou que o problema não é novo, que já estava acontecendo também com alguns chilenos e outros da África do Sul. A mesma fonte cita que a contaminação compromete os produtos Fuzion e Santa Júlia, em várias regiões, como Mendoza e Patagônia. Autoridades argentinas solicitaram ao laboratório francês Excell algumas análises para identificar os focos poluentes. Pascal Chantonnet, do Excell, disse que a natamicina está presente em produtos de desinfecção de adegas, garrafas e rolhas: por isso, segundo ele, a contaminação atingiu inclusive os orgânicos. A Wines of Argentina solicitou aos produtores que deixem de usar o NAT 3000, detergente que contém o fungicida, na limpeza de barricas e mangueiras. Em nome do Instituto Nacional de Vitivinicultura da Argentina, Guillermo Garcia disse que os resíduos encontrados “não representam nenhum perigo à saúde”. No entanto, a Organização Internacional do Vinho e da Vinha (OIV) não autoriza seu uso. A natamicina é utilizada também como medicamento humano, mas em doses elevadas pode provocar náuseas e diarréia.

Com Wines From Brazil

 

Terremoto castiga também o vinho chileno

A indústria de vinhos do Chile sofreu fortes prejuízos por causa do terremoto de 27 de fevereiro, que desabrigou dois milhões de pessoas e matou outras 800, segundo autoridades locais. Uma estimativa feita pela organização Vinos de Chile indica que as vinícolas perderam no geral 125 milhões de litros de vinho, a granel, engarrafado ou em tonéis. Tonéis de inox racharam e 100 milhões de garrafas quebraram. Os barris de carvalho foram os menos afetados. Seriam prejuízos financeiros de US$ 240 milhões. Em relação à colheita de 2009, que totalizou 1,01 milhão de litros, a perda é de 12,5%. Mas, a colheita de 2010 não será afetada. Cerca de 75% da infra-estrutura da indústria vinícola chilena fica nas regiões de Libertador Bernardo O`Higgins e Maule, fortemente castigadas pelo tremor. A União Brasileira de Vitivinicultura (Uvibra) informa que o Brasil importou do Chile em 2009 30 milhões de garrafas de vinho. Alguns especuladores já falam em aumento nos preços do produto chileno, devido à sua provável escassez antes mesmo do inverno.

Com Band/Terra Viva, Folha de S.Paulo e site Revista Adega

 

Os aromas do vinho

 

Há quem desconfie de alguns aromas presentes no vinho citados por especialistas distantes do público comum apreciador da bebida. Muitos juram de pés juntos que eles de fato existem. Mas, como explicar cheiros de pedra de isqueiro, toques de petróleo, raspas de zinco, pena molhada ou caixa de charuto dentro de uma única e inocente taça de vinho? Há controvérsias. A dúvida é tão abissal que certos apreciadores chegam a duvidar de que alguém possa colocar tantos aromas e sabores no vinho. Na verdade, o que acontece é simples. Num bom vinho, nada é adicionado nesse sentido. Seus sabores e aromas são decorrentes do terroir, o lugar onde crescem e produzem as vinhas. Aí está o segredo. O terroir, que na verdade compreende um conjunto de fatores locais, como o solo, as condições climáticas, a influência da agricultura local e outros detalhes, define tudo na uva, que, por sua vez, o transfere para o vinho. As barricas de madeira também dão sua contribuição. São as chamadas características organolépticas, compostas por cor, sabor, textura, brilho e odor perceptíveis ao ser humano. Agora, qualquer um saberia identificar os tais sabores e aromas? Não. Esse é um processo que demanda tempo, experiência, treino e estudo pessoal do enófilo que desenvolve sua sensibilidade para notar tudo isso num vinho. Entende-se, assim, o porquê de algumas pessoas sentirem aromas diversos num mesmo vinho que outras não notem quase nada. A isso também se deve à memória olfativa de cada um, alguns mais, outros menos. Essa capacidade é bastante diferente entre pessoas que foram criadas em locais diversos, como alguém que viveu e vive na praia e outra que viveu e vive nos campos. O olfato do primeiro tem mais a ver com mar e o do segundo com vegetações, tudo próprio do meio ambiente. Assim, cada um descobre aromas mais facilmente que outros. Nada de truques, nem esnobações, só experiência e treino.

Com Vinhos de Corte

 

As montanhas de vinho

 

O título acima pode parecer exagerado, mas não é. Existem, de fato, grandes regiões montanhosas que se dedicam exclusivamente à produção de vinho. Suas vinhas cobrem extensas áreas, como no Norte da Itália. São as vinhas alpinas. A região alpina de Alto Adige é muito valorizada financeiramente também, porque ali são feitos 0,7% dos vinhos italianos, mas vinho de excelente qualidade. Com lagos deslumbrantes, picos rochosos permanentemente cobertos por um manto de gelo, vales estreitos e parreiras produzindo a 500 metros de altitude, este lugar é considerado o principal produtor de vinho de toda a Itália. Nas duas províncias locais, Trento e Bolzano, fala-se alemão e mistura-se mel ao vinho. Há séculos, o vinho escorre do Alto Adige. Na Idade Média, os mosteiros davam as cartas com a então uva Schiava. Hoje quem manda é a Riesling, que nos concede brancos aromáticos deliciosos. Os vinhos daqui são famosos, como o que é feito com a uva Teroldego Rotaliano, considerado o melhor tinto do Nordeste da Itália, segundo o Zero Hora.com . O terroir pode ser considerado magnífico, com 300 dias de sol por ano; 80% do território indisponível está acima de mil metros de altitude e do restante, apenas 5% é utilizado para vinhas ou orquídeas, todas em colinas e em costas da montanha.

Com The Guardian e Zero Hora

 

A Austrália deve seus vinhos ao Brasil (?)

Parece conversa de enófilo brasileiro apaixonado. E talvez seja mesmo. O fato é que sempre correu no meio vinhateiro verde e amarelo que a Austrália de hoje deve seus vinhos a videiras de ontem vindas do Brasil. Não há provas oficiais, mas as conversas nesse sentido são muito fortes. Consta que as mudas trazidas pelos colonizadores portugueses saíram daqui direto para a terra dos cangurus no final do século 18. A quase-lenda não define que uvas eram essas.

A partir daí, ainda segundo o que se fala muito no meio, os australianos plantaram as vinhas e fizeram os vinhos, no começo ruins e dois séculos depois melhores, a ponto de decidirem pela produção de vinhos de qualidade, o que aconteceu de fato. Com criatividade, mão-de-obra importada, tecnologia avançada e muitos incentivos governamentais, a Austrália fincou seu nome em 167 mil hectares de parreirais de respeito. Não demorou uma década, em 2006, para a Austrália passar a França em exportações de vinho para o Reino Unido. Foram os australianos que desenvolveram a fermentação de baixa temperatura, a mistura Cabernet e Shiraz que deu certo, além de outras. Suas uvas principais são a Cabernet Sauvignon, Shiraz, Pinot Noir, Chardonnay, Semillon e Riesling. No mercado de vinhos, os australianos passaram, então, a ser chamados de “flying winemakers” e saíram pelo mundo ensinando suas novas técnicas, inclusive nas tradicionais França e Itália. A Austrália é hoje o sexto maior produtor de vinhos do mundo, com 14,2 milhões de hectolitros por ano, e cerca de 800 vinícolas.

 

Teste para datação de vinhos

Outra novidade que vem da Austrália é um teste para a datação de vinhos, desenvolvido com base na tecnologia do Carbono-14. A partir desse teste, inventado pela Universidade de Adelaide, será possível conhecer com exatidão o ano de engarrafamento dos vinhos, o que será uma grande contribuição no combate às fraudes. O sucesso do projeto foi confirmado quando a equipe de cientistas australianos mediu os níveis de Carbono-14 no açúcar fermentado de 20 vinhos de 1958 a 1997. Depois, comparou os resultados com amostras radioativas da atmosfera e conseguiu determinar o ano exato de cada vinho. Atualmente, as fraudes no envelhecimento dos vinhos caros é expressiva e representa 5% do mercado, segundo informações divulgadas pela AFP. A obtenção da nova tecnologia, no entanto, ainda está longe de ser popular, porque é muito cara.

Com AFP

 

Chineses têm sede de vinho

A China vem se tornando o maior mercado de vinho Bordeaux fora da Comunidade Econômica Européia. Os chineses ultrapassaram os norte-americanos e os britânicos em importação desse importante tipo de vinho francês. A confirmação é do Conselho Interprofissional do Vinho de Bordeaux (CIVB), anunciada pelo seu presidente, Alain Vironneau. Segundo ele, a China, especialmente, Hong Kong, cresce a um ritmo espantoso. Em 2009, as vendas francesas para a China aumentaram 40%, num total de 74 milhões de euros. Na quantidade, o aumento praticamente dobrou. Em Hong Kong, o mercado cresceu 24% no ano anterior, por conta da eliminação de impostos sobre importações de vinhos.

Notícias Adega

 

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