Ano X nº 147  -

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90% dos brasileiros não têm nenhum tipo de informação sobre AVC, indica pesquisa

Uma pesquisa da Universidade de Western Ontario (Canadá) publicada neste mês no periódico Neurology mostrou que um em cada oito acidentes vasculares cerebrais (AVCs) do tipo isquêmico (em que há obstrução dos vasos) é precedido por uma espécie de alerta, que pode ser classificado como acidente isquêmico transitório.

Segundo os autores do estudo, o conhecimento desses sinais pode ajudar a evitar muitos derrames, com a realização de exames que podem prevenir o evento, bem como fazer um diagnóstico precoce com maior chance de tratamento. Eventualmente há necessidade de uso de remédios ou outros procedimentos. Estudos anteriores sugerem que mais de 80% dos AVCs que ocorrem depois de um sinal de alerta podem ser evitados.

A situação brasileira é ainda mais grave do que a média mundial porque a maioria dos pacientes procura muito tarde o atendimento médico por desconhecimento da doença e de seus sintomas iniciais, o que dificulta o reconhecimento e encaminhamento rápido para um hospital adequado.

Segundo a cardilogista Lise Bocchino, o acidente vascular isquêmico é o tipo mais comum de derrame, com 80% dos casos. Os demais são do tipo hemorrágico, em que o vaso se rompe e que raramente tem sinais prévios. Os ataques transitórios, também chamados quase-derrames, costumam ser mais comuns em idosos e em portadores de problemas cardiovasculares, diabetes ou hipertensão.

Lise explica que os sintomas dos acidentes isquêmicos transitórios são similares aos do AVC, mas têm intensidade menor e costumam durar menos de 24 horas. "O paciente pode apresentar, principalmente, dormência ou fraqueza no rosto, no braço ou na perna, geralmente em um lado do corpo, além de dificuldades na fala ou esquecimentos. A maioria dos casos se resolve em uma ou duas horas e desaparece espontaneamente", explicou a médica ao Vya Estelar.

De acordo com a pesquisa canadense, os pacientes que tiveram esse derrame transitório (ou isquemia cerebral transitória) tiveram menos chance de ter um AVC mais grave e de morrer, uma vez que se cuidam, procuram atendimento médico e são medicados, às vezes, para o resto da vida, com sucesso. Também precisaram de menos serviços de reabilitação, bem como não tiveram restrições em suas vidas.

Lise lembra que, nesses casos, a pessoa deve procurar um médico imediatamente para identificar as causas do evento e saber se há uma obstrução vascular e onde ela está localizada. Para evitar e tratar o derrame é necessário buscar ajuda de médicos em centros especializados. Nesses locais são usados anticoagulantes e podem ser realizados procedimentos para colocação de stents para desobstruir o vaso comprometido.

O AVC é a principal causa de incapacidade funcional no mundo e, no Brasil, de morte por causas cardiovasculares. A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que mais de cinco milhões de pessoas morram a cada ano por causa de acidentes cardiovasculares. Segundo a Sociedade Brasileira de Doenças Cerebrovasculares, o AVC é responsável por 30% dos óbitos registrados no país. Mesmo os pacientes que sobreviveram a um AVC correm riscos: cerca de 50% morrem após um ano, 30% necessitam de auxílio para caminhar e 20% ficam com sequelas graves.

Sinais do AVC

  • Fraqueza de um lado do corpo;

  • Dormência de um lado do corpo;

  • Dificuldade visual;

  • Dificuldade para falar;

  • Dor de cabeça muito forte e sem motivo aparente;

  • Incapacidade de se manter em pé ou forte tontura

Para evitar o AVC

  • Praticar exercícios regulares;

  • Controlar o peso;

  • Alimentação balanceada, evitando o consumo de alimentos com gorduras saturadas e trans;

  • Não fumar;

  • Evitar o excesso de álcool;

  • Controlar o estresse;

  • Se tiver mais de 40 anos, realizar pelo menos uma vez por ano check-ups, com controles de pressão arterial, dosagem de glicose e colesterol no sangue;

  • Se tiver diagnóstico de hipertensão arterial, diabetes, colesterol alto ou qualquer doença do coração, fazer acompanhamento médico para controle dessas patologias

 

Fonte: Vya Estelar

 

 

Ed.147-10/11/2009

 

 

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